Resenha: O Cavalo e Seu Menino

Vania. Ou Ily, como grande parte de meus amigos me chamam. Eu atendo pelos dois. Se você jogar qualquer nome na lista juntamente com uma boa piada, eu provavelmente atenderei também. Existem duas coisas que os leitores desse blog precisam saber sobre mim. A primeira é que ler é como uma terapia pra mim. Não importa se o livro é ruim, complicado ou mal escrito, desde que eu consiga sair do meu mundo por algumas horas, esquecer quem eu sou e me perder no mundo que o autor criou. A segunda é que a maioria dos livros que eu leio são em inglês. Não, eu não sou metida ou tenho vontade de aparecer, eu simplesmente moro nos Estados Unidos, e bem, 99% dos livros aqui são em inglês. Isso pode acarretar alguma confusão porque às vezes os tradutores (abençoadas criaturas!) mudam nomes de personagens e lugares, então peço a sua compreensão.

Agora que passamos pela fase mais difícil, vamos à diversão. Com o lançamento do novo filme das Crônicas de Nárnia, eu resolvi dar mais uma chance à aclamada série de C.S. Lewis (eu já havia lido os dois primeiros livros – na ordem cronológica – sem que tenha me despertado muito interesse). E eis que O Cavalo e Seu Menino conseguiu me convencer a seguir em frente.

A primeira coisa que me chamou a atenção nesse livro foi o título. Como assim O Cavalo e Seu Menino? O certo não seria O Menino e Seu Cavalo? E então eu me dei conta de que a história provavelmente se passa no mundo de Nárnia, onde animais pensam e falam, e não estão à disposição dos homens (nem de faunos ou centauros).

Nós somos então apresentados a Shasta, um menino que vivia com um pescador em Calormen (Calormânia em português). Quando Shasta descobre que o pescador não é seu pai verdadeiro e quer vendê-lo como escravo à um dos nobres do país, ele resolve fugir. É nesse momento que ele faz amizade com Bree, um cavalo de Nárnia (e que, portanto, pensa e fala) e juntos eles fogem rumo à Nárnia e o Norte. No caminho eles encontram Aravis, uma nobre também em fuga com sua égua de Nárnia, Hwin. Para poder cruzar o deserto e seguir rumo à Nárnia, eles precisam passar pela capital de Calormen, e é lá que acabam se envolvendo em algumas confusões (mas também vendo a Rainha Susan e o Rei Edmund, antigos conhecidos nossos).

Dentre as confusões em que eles se metem a partir daí, há sempre um elemento presente na narrativa: o medo dos leões. É por causa dos leões que as duas crianças e os dois cavalos se encontram, é o leão que passa a noite com Shasta para que ele não fique sozinho, é o leão que os encoraja a seguir em frente quando eles sentem que mal conseguem se mover. O leão é, obviamente, Aslan, e a simbologia religiosa é bastante perceptível. Há também bastante elementos de transformação dos personagens: basicamente nenhum deles chega ao final sendo o mesmo (talvez com exceção de Hwyn) que era no começo do livro.

Apesar de acreditar que poderia ter havido um melhor desenvolvimento dos personagens (tudo acontece muito rápido, mal há tempo para que um laço emocional seja estabelecido entre o leitor e os personagens – Aravis e Bree, especialmente), eu acredito que dos três livros da série que já li, esse tenha sido o melhor, por haver um sentimento de que aqui Lewis sabia exatamente aonde estava indo e quem era seu público chave. Que venha, portanto, Príncipe Caspian!

Ficha Técnica

Título: O Cavalo e Seu Menino (The Horse and His Boy)
Autor: C. S. Lewis (Tradução de Paulo Mendes Campos)
Editora: WMF Martins Fontes
Ilustradora: Pauline Bayes
Páginas: 192
Avaliação: 4/5 estrelas

15 respostas em “Resenha: O Cavalo e Seu Menino

  1. Eu não tenha AQUELA paixão pela série de Narnia mas acho uma gracinha pra crianças e etc. Esse livro parece ser super fofo! Ainda mais contada a partir de pessoas mais comuns… mas não menos importantes… =] obrigada pelo review!!!

    • Eu gosto pelas crianças também, e comecei a me apaixonar pelo Edmund! Mas sim, é interessante ver a história contada pelo “filho” de um pescador que nunca aprendeu a ter maneiras e tudo mais. Eu gostei bastante, e recomendo!

  2. Eu já li As Crônicas de Nárnia faz bastante tempo. Eu comprei aquele volume único, na época que por R$50,00 estava baratíssimo (agora, acredite, por R$20,00 a gente compra aqui essa edição). Então, eu não me lembro das histórias com muito detalhes, mas eu também me fiz a mesma pergunta quando comecei a ler “Como assim o cavalo e seu menino?”. Mas Nárnia é Nárnia, e o título faz todo o sentido com a história.
    Eu não sei se foi intencional do autor, mas exatamente por serem “crônicas”, na maioria das histórias fica realmente difícil estabelecer um laço emocional entre o autor e o leitor. Exceção à essa regra, só mesmo os personagens que aparecem em mais de um livro. Mas eu me lembro que eu achei essa história muito bonitinha e realmente o C.S.Lewis sabia onde queria ir com essa história.
    Eu também gostei do Príncipe Caspian, mas não sei porque, quando fui assistir o filme eu achei chato e não terminei (hahaha!)

    • Ah eu também comprei a edição que tem todos, por isso estou lendo na ordem cronológica (que é a ordem que estão no livro). Também foi interessante porque foi o único (até então) que eu não tinha lido anteriormente ou visto o filme (li em 2006 O Sobrinho do Mago, e o Leão…..). Já vi o filme do Caspian e gostei bastante, e tô na metade do livro. Ainda não sei o que pensar, porque no filme tá tudo dividido e no livro a gente vê tudo de uma vez. Mas está interessante.

      Não sei, eu consegui estabelecer um laço com o Shasta, e até com a Hyun, que não aparece tanto quanto a Aravis e o Bree. Talvez por esses dois serem mais obstinados, mais orgulhosos e tudo mais, não sei.

  3. Então, eu sempre falo que vou ler Nárnia mas ou eu compro um livro de última hora que me parece fantástico ou eu simplesmente desanimo. Comecei a ler O Sobrinho do Mago no computador uma vez mas não passei da página 3. No entanto, gostei do filme O Leão, A Feiticeira e o Guarda Roupa e mais ainda de Príncipe Caspian. Quem sabe um dia eu não leio tudo, né? Pra quem curte fantasia é praticamente um clássico!

    • Nárnia é realmente um clássico, e por isso eu resolvi dar mais uma chance. O Sobrinho do Mago é bom, mas demorei um pouquinho pra me acostumar com o ritmo… Eu acho que é bem raro me ouvir dizendo isso, mas apesar de estar gostando dos livros, eu prefiro os filmes. Eles – especialmente Príncipe Caspian – tem elementos que eu senti falta nos livros, que talvez não estejam lá justamente por serem crônicas, mas que fizeram falta da mesma forma. Eu achei mais fácil se engajar com os personagens nos filmes do que nos livros, e eles são mais bem definidos (embora nem sempre completamente canon) do que nos livros. Mas eu diria pra você dar uma chance sim, Mel. É uma leitura gostosa se você mantiver na cabeça que não tem a riqueza de detalhes de um Senhor dos Anéis, nem a interação entre personagens de um Harry Potter, e que foi escrito para crianças. Eu quero começar a ler pra Lucy – a minha Lucy aqui – e ver se ela vai gostar!

  4. Oi Ily!

    Confesso que eu não sou muuuuito fã das Crônicas de Nárnia não, mas gostei bastante da sua resenha! Talvez, quem sabe, eu não volto a dar uma chance pro C.S. Lewis?!

    • Obrigada, Sabrina!

      Dê uma chance sim. Ele não é nenhum Tolkien, mas tem seu mérito. Tô gostando bastante dos livros, e apesar de sempre achar uma crítica ou outra (fã de SdA, fazer o quê?) é uma leitura bem agradável, com uma escrita coerente e uma narração que te deixa completamente engajado na história.

  5. Eu gosto muito das Crônicas de Nárnia e achei O sobrinho do Mago mto legal, bem delicada a forma como o autor descreveu a criação de Nárnia.
    Sobre O cavalo e seu menino e a tradução, realmente os nomes foram todos traduzidos. Tá, nem todos. Shasta, Bree e Aravis mantiveram seus nomes, mas Carlomen se tornou Carlomânia e Hwyn se tornou Huin (fora os nomes dos quatro reis que foram traduzidos também). rsrs
    Sendo uma crônica, eu logo percebi que não teria a mesma cronologia das demais histórias e até me admirei quando vi a rainha Suzana e o rei Edmundo. Engraçado que eu não estranhei o nome, só fiquei curiosa pra saber o que acontecia. hahaha
    Acho que algumas coisas parecem acontecer mais rápido justamente por não ser o centro da história. Aí não seria uma crônica, seria um romance, talvez?
    Em todo o caso, continue lendo e espero que você goste de Príncipe Cáspian, é o meu segundo favorito. rsrs
    bjos bjos

    • Eu achei o Sobrinho do Mago interessante, mas minha personagem preferida ali é a Feiticeira hahaha pra você ter noção. Talvez seja essa coisa crônica x romance que esteja me deixando com dificuldades pra assimilar a narrativa, mas eu realmente sinto falta da riqueza de detalhes, especialmente daqueles que tornam os personagens mais humanos e próximos da gente… por exemplo, eu tenho certeza que minha paixão pelo Edmund começou nos filmes (em Caspian, por ver o quanto ele se “regenerou”) mas foi em um momento do livro que eu percebi isso, em que Lewis o descreve como “very thoughtful” quando ele fala de traidores que se regeneram e que ele conheceu um. Pra mim esse foi um momento muito intenso de um personagem que foi bem trabalhado, mas não há muitos. Eu queria fazer uma comparação com Senhor dos Anéis em uma cena do último que me fez chorar com uma mera descrição, mas seria covardia. Enfim, também acho covardia comparar obras, cada uma tem seu mérito, e Nárnia com certeza tem muitos. Tantos que eu tô lendo o Dawn Treader já haha

      • Então, é isso que me incomoda em Nárnia. E foi o que me incomodou na série A Sétima Torre também. Não tem personagens profundos, não tem drama. Isso me incomoda demais.

  6. Entonces, vou fazer coro com o pessoal aqui: também tenho aquela edição única de Nárnia e li todos os sete livros. Não aconselho a série pra ninguém, confesso. Quero dizer. A história é bem basicona. Dá pra contar pra uma criancinha, sei lá, em alfabetização. Mas como eu li Nárnia depois de clássicos maiores ou só melhores mesmo – HP, SdA, Prydein, etc, etc… Não gostei muito. Acho que tinha tanto pra dar certo! Mas essa doutrinação católica do C.S. Lewis pra mim brocha a coisa toda.

    A respeito desse volume específico, eu me lembro de resolver pra mim mesma que na série toda os únicos livros que eu tinha achado que valeram a pena foram 3 e 4, o que provavelmente torna o Cavalo e seu Menino e Caspian. Procês verem, nem os nomes guardei.

    Quando eu penso em Nárnia, sempre me vem a mesma impressão: pô, tinha TANTO pra ser genial! Mas, pelo menos na minha opinião, acabou sendo um tédio.

    • Eu acho covardia comparar com Tolkien haha. A impressão que eu tenho é que o Tolkien tirou tempo pra pensar na história toda, enquanto o Lewis simplesmente foi e escreveu sem muita reflexão. Eu sei que provavelmente não foi assim, mas é essa a impressão que eu tive. Cheguei agora ao final do quinto livro, e não sei se vou ou não continuar. A questão principal pra mim é a falta de desenvolvimento dos personagens ou a inabilidade do leitor de se conectar com eles…

      Por outro lado, é como você disse, dá pra contar pra crianças e afinal de contas é um clássico infantil. Eu comecei a ler pra Lucy aqui em casa e ela ficou encantada! Mas preciso confessar que ainda prefiro os filmes…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s