Resenha: Alma de Fogo, Mário Teixeira

Olá, eu sou a Michele. Ou a Caileach. Depende do estado de espírito. Eu leio muito. Sempre li, desde criança. Leitura para mim sempre é sinônimo de prazer. Infelizmente já não tenho o mesmo tempo que outrora tive para desfrutar de páginas e mais páginas. Mas a gente vai tentando.
Eu leio de tudo, de literatura de massa aos clássicos; de infanto-juvenil ao existencialismo. Tenho uma certa preferência pessoal por fantasia, mas isso não me impede de ler outras obras.
Sou professora de literatura infanto juvenil e sempre defendi para meus alunos que um bom professor deve ler o que os alunos leem. É necessário estar por dentro das leituras deles e não simplesmente indicar qualquer obra baseado em uma simples resenha. Leu a resenha? Gostou? Então cria vergonha na cara e vai ler o livro também, né? Afinal, se tu não leu, se tu não sabe do que está falando, como vai argumentar, defender ou criticar determinada obra, não é mesmo?
Então, hoje estou aqui para falar de uma das últimas obras que li e que me agradou muitissimo. Confesso que a descobri por acaso, devido a esses catálogos que as editoras deixam nas escolas para os professores avaliarem, e que geralmente acabam servindo para não manchar a mesa com xícaras de café, uma vez que ninguém olha.
O livro era indicado para oitava série e ensino médio. Achei interessante a proposta e resolvi comprar para ver qual é que era, sem muita expectativa,pois literatura juvenil brasileira, nos últimos anos, tem deixado muito a desejar. E não é que me surpreendi?
Alma de fogo – um episódio imaginário na vida de Álvares de Azevedo, do Mário Teixeira, (editora Ática)  foi uma das melhores obras do gênero publicada nos últimos anos.

capa

Bastante inovadora, trás como protagonista ninguém mais, ninguém menos que o poeta romântico Manuel Antônio Álvares de Azevedo, tendo como fieis escudeiros os também escritores românticos Bernardo Guimarães (o carinha que escreveu Escrava Isaura, caso não lembrem) e Aureliano Lessa.
A história é ambientada em São Paulo de meados do século dezenove e é basicamente sobre um assassino em série que é investigado pelos rapazes já citados. Nada demais. Historinha banal. Mas não!!! O autor mescla realidade e ficção com maestria. Retrata a sociedade paulistana da época e o que eram as famosas “estudantadas”, uma vez que os estudantes eram muito mal vistos pelos cidadãos de bem (e não é de se admirar que assim fosse). O autor também consegue mesclar uma linguagem bem atual com a linguagem da época. Sem contar que ele consegue passar através dos personagens todo o espírito do mal do século, inclusive o espírito de porco.

Bernardo Guimarães distribuindo dentadas

As ilustrações por si só já são hilárias. Dá pra ver algumas no blog do desenhista.

Eu descobri coisas que nem sabia lendo esse livro como:
– Por que é chamado “bicho” quem é calouro na faculdade. (E é bicho com CH mesmo. Quem defendia que escrever bicho com X não era o correto, estava coberto de razão.)
– Que Alvares de Azevedo não morreu de tuberculose como nos ensinam na escola.
– Que Escrava Isaura pode ser um porre, mas o Bernardo Guimarães era um baita poeta satírico, engraçadíssimo mesmo.
– E, por último, o principal: é possível fazer uma literatura juvenil brasileira de respeito.

Maneco fazendo pose de moço sério
Igualzinho!!! =D

Recomendadíssimo!!!

28 respostas em “Resenha: Alma de Fogo, Mário Teixeira

  1. Hahahahaha adorei, Mi! Vou ver se acho pra comprar quando estiver por aí. Tem muito, mas MUITO tempo que não leio nada nacional e honestamente, me envergonho disso. Criticar o que existe de ruim é importante, mas valorizar o que tem de bom é ainda mais essencial! Vai entrar na minha lista de livros a serem lidos em 2011!

    • Lê mesmo, Ily, que vale a pena. É muito bom. E é tão raro aparecer algo que preste em matéria de juvenil no Brasil, né? Eu fiquei fã desse livro. Quero outras aventuras do Maneco e do Bernardo.😄

      • terminei de ler esse livro muito legal , mas os nomes sao difíceis de decorrar e tenho qe fazer biografia do autor e naum achei nem na internet ,tinha horas que eu não sabia quem tava falado , mas muito legal ,,

  2. Mi, solta um spoiler e explica pra gente porque que calouro é bicho! Agora você me deixou curiosa…

    Muito interessante o livro, acho que eu ia gostar, e realmente é difícil encontrar bons livros juvenis nacionais…

    Bjos
    Mari

  3. Concordco com a Mari? solta um spoiler Mi!!! Eu quero também ser porque calouro é bicho (apesar de aqui no Rio, a gente não utilizar essa palavra, só calouro mesmo).
    Parece ser muito interessante Mi!^^ Quando eu tiver um tempinho, vou procurar para comprar!

    • Aqui em Londrina é bixo, na verdade, mas eu sou meio chata com essas coisas e sempre escrevi bicho. Pelo que a Mi falou, eu tava certa! Yay!😄

      • Aqui também escrevem bixo, mas sempre há quem diga que é bicho. E a minoria estava certa, hehehehehe!!!😄

    • Como é um spoiler que não interfere em absolutamente nada na trama, é mais uma curiosidade, eu conto: o fato é que os estudantes da época eram do balacobaco. E os coitados dos calouros, quando chegavam, recebiam vaias fenomenais e viravam motivo de chacota dos veteranos. Em resumo, eles pintavam e bordavam com os novatos. Daí, alguns mais espertos, procuravam veteranos antes das aulas começarem para pedir sua proteção. Os calouros que tinham a proteção dos veteranos não podiam virar alvo dos outros. Então eles pagavam em serviços ou em dinheiro para essa proteção. E se tornavam os “bichos” de estimação dos veteranos. Por um ano faziam tudo que o “protetor” mandava e passavam a fazer parte da coisa. No ano seguinte tiravam a desforra com os novatos que entravam.
      Também é preciso levar em consideração que os rapazes daquela época tinham vergonha, então ser vaiado em público era algo terrível.

  4. “Sem contar que ele consegue passar através dos personagens todo o espírito do mal do século, inclusive o espírito de porco.” Hahahaha
    Acho que vou gostar desse livro.😄
    O Álvares de Azevedo não morreu de tuberculose mesmo? Dessa não sabia.
    Você disse que a obra mescla fantasia com realidade, será que vou conseguir distinguir? Eu caio fácil nesses contos. hahaha

    • Hahahaha… eu também caio fácil nesses contos, até tava pensando enquanto eu lia a resenha da Mi que eu nunca ia saber o que era ficção e o que era realidade. Que bom que não sou a única!

    • Dá pra distinguir na boa. Exceto por algumas “estudantadas” que a gente jura que é ficção e chega no final e descobre que é verdade.
      De qualquer forma o autor comenta no final do livro sobre a ficção e a realidade. É interessante.

  5. Eu gostei! Sério, adoro livros assim que misturam personagens históricas com ficção. Bom demais. Ah, Mi, literatura juvenil nacional tá melhorando! Principalmente em relação a livros de fantasia. Temos aí o Raphael Draccon e a Vivianne Fair que valem a pena ler!

  6. Nossa! Adorei!! Mto interessante… eu total leria se eu fosse mais nova, nao estou dizendo que eu nao leria agora, mas isso me lembra mto qdo eu era adolescente e gostava de ler livros assim! ebaa!!! me deu até uma sensação nostálgica!

  7. Oi, sou uma cria de 13 anus q ñ sabe iscreve nim lê. minha fessora pidiu um trabaho sobri u livru e eu quiria um risumo, mas num achi. nim aki, purissu to mto brabo.

    • Deletei teu comentário, trollzinho de merda. Aposto tem virgula, idiota. Vai aprender a escrever. Aliás, toma vergonha e vem me xingar na cara, pessoalmente, em vez de postar anonimamente. É bem a tua cara cagona mesmo fazer isso! Bjmeliga!

  8. Esse livro é muito legal, gostei
    O livro fala que No século XIX, vários homicídios abalam a pequena vila de São Paulo: jovens mulheres estão sendo mortas por um misterioso serial killer. A turma de estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco acaba se envolvendo na história quando Álvares de Azevedo descobre que seu colega, Aureliano Lessa, foi acusado de ter cometido os crimes e é preso. Entre leituras, poesia, amores e boemia, o jovem escritor começa uma perigosa investigação contra o tempo em busca da verdade.
    e muitas outras coisas

  9. Quem sem educação você em ,
    toma vergonha nessa sua cara
    Duvido se você não é homem
    Sou homem mais digo só homens pra fazerem uma palhaçada dessas,
    deiche de palhaçada e se ponha no lugar de homem

  10. Eu já le o ”ALMA DE FOGO ” e mim apaixonei por ele, fiquei bastante triste quando eu terminei de ler pois eu não queria que acabasse.
    Foi através desse livro que a minha paixão pela leitura floreceu.

  11. Eu estou fazendo um trabalho sobre esse livro, eu tive um mês pra ler o livro e fazer o trabalho escrito… 1ª no 2ª Grau

  12. Amei esse livro, e eu não me canso de ler …mistura muitas coisas que amo … um cenário sombrio, mistério e romanse

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