Resenha: O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

Primeiramente: Oi, sou a Nivia! ^^ Leio desde pequena, e por não ter boa memória para títulos, acabei me esquecendo boa parte dos nomes dos livros que li até os 12 anos – porém isso não será um problema por aqui, ando melhor nesse quesito!

Acho importante ressaltar também que costumo ler apenas nas férias, por causa da faculdade. A área de exatas não dá muita liberdade para a minha mente descansar na literatura!

Tenho preferência por livros mais antigos, como a Lucy. Contudo, acompanho as novidades e as leio também. Isso só para preveni-los sobre a quantidade de mofo que pode surgir enquanto eu escrever.

Vamos começar por um livro que terminei por esses dias: “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde.

Pessoalmente confesso que demorei a ler. O livro é ótimo, mas estava em inglês, e isso atrapalhou um pouco minha persistência em ler por horas com um dicionário do lado. Era um livro que devia ter lido durante as aulas de inglês na faculdade. Abandonei o inglês, mas jurei que leria o livro.

Feito isso, descobri que tinha uma metáfora brilhante nas mãos. Em suma, o livro conta a história de um rapaz inglês chamado Dorian Gray, que por medo de envelhecer e de mostrar sua verdadeira personalidade, aprisiona sua alma em um retrato seu. Ela reflete em traços o que ele é, enquanto sua aparência física continua a mesma.

Dorian era muito bonito, e tinha uma paixão incomensurável por si mesmo, tal era sua vaidade. Mas sua má conduta aflorou definitivamente ao conhecer um pintor, chamado Basil Hallward. Eles se tornaram amigos, e Basil quis fazer um retrato dele, devido a sua beleza e juventude, e como símbolo da amizade entre os dois. Na verdade, Basil o venerava.

Enquanto desenhava o rapaz, surgiu um amigo de Basil, Lord Henry Wotton, que era irônico, realista e atrevido. Ele divertia-se em dar palpite em tudo, e influenciar as pessoas com sua eloqüência crua de ver o mundo. Dorian se encantou pelas palavras firmes de Henry sobre a vida.

Um dos sermões de Henry era de que todos envelhecem e deixam as glórias para trás, com o frescor dos tempos áureos. Dorian se revoltou com a idéia de ter pouco tempo para desfrutar dos prazeres da vida, e passou a rejeitar o quadro de Basil. O fato de que um dia não seria belo daquela maneira o perturbava, e se ressentiu porque se tornaria velho e feio.

Sua raiva por envelhecer foi tão grande que ele rejeitou o quadro, pois parecia a prova do que perderia mais para a frente. Basil considerava aquela a sua obra-prima, e chateou-se com a desfeita – tanto quanto a amizade mais forte que se formou entre Dorian e Henry.

Dorian, em sua raiva, desejou que o quadro sentisse o pesar dos anos em vez dele. E a partir daí, viveu da maneira que lhe conveio, sem importar-se com os sentimentos alheios, aumentando seu egocentrismo e suas maldades com as pessoas ao seu redor. E manteve-se sempre jovem, tal como ansiara.

Perde a graça esclarecer mais do que isso acerca da permanente juventude dele, e dos absurdos que cometeu para ocultar sua real aparência interna e externa a todos que o conheciam.

O livro trata, portanto, da importância que as pessoas atribuem à aparência física. Dorian é frio e cruel, contudo as pessoas o viam com bons olhos porque era um jovem encantador louro de olhos azuis. Não enxergavam o que havia além de sua alma. O próprio Dorian se enganava com essa impressão boa de si mesmo para atenuar suas atitudes perante si mesmo em alguns momentos.

O final me impressionou. Gostei muito da maneira com que a questão foi abordada e pontuada. Recomendo para quem gosta de clássicos, e acha interessante o tema do pré-julgamento sobre beleza – mesmo no século XIX.

Podem notar fortes insinuações ao homossexualismo. Pelo menos eu reparei! Isso não faz extrema diferença na trama, mas é curioso de observar.

Foram feitos filmes baseados no livro, mas não assisti a nenhum – por isso a falta de comentários a respeito! Mas se alguém viu, seria interessante comentar.

Ficha Técnica:

Título: The Picture of Dorian Gray
Autor: Wilde, Oscar
Editora: Martin Claret
Páginas: 215
Avaliação: 4/5

8 respostas em “Resenha: O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

  1. sua emo!!! Ótima resenha! Sério! Entendi tudo e eu nem tava interessada quando li o título e agora quero saber o final desse livro! affe!!!
    Então… me conta aí! hahahhaha…
    Eu acho que Dorian é um dos personagens em um filme de “superherois” que tem o médico/monstro! Porque o quadro existe no filme, e ele tá velho… no quadro, e não pessoalmente…
    uau! super interessante mesmo!!

  2. Ah, esse filme é A liga extraordinária, Lain! É baseada em uma do Alan Moore e Kevin O’neill, mas o Dorian não participa da HQ! hahaha Colocaram ele no filme, só.

    Tem um filme sobre o Retrato de Dorian Gray mesmo, que tem o Colin Firth em um dos papéis (não o principal) mas ainda não assisti. rsrs

    Sobre o livro, tem mto tempo que vejo uns pokets books dele em livrarias, mas aí acabo dando preferência para outros títulos. rsrs Acho que da próxima vez eu vou me arriscar com Dorian Gray. Ótima resenha, Nik!

  3. Eu li esse livro para o curso de inglês, em um dos períodos que eu não me lembro qual. Todas as metáforas utilizadas e a mensagem que a história passa é muito interessante! Eu adoro esse livro!
    Ótima resenha Nik!

  4. Livro dark. Mas um clássico do Wilde. Quanto às insinuações de homossexualismo, realmente, o livro deixa essa margem. E Wilde é Wilde, né? Ele não perde uma. Se você quiser ler uma coisa diferente (mas igualmente boa) do autor, leia “The Importance of Being Earnest”. É simplesmente uma das coisas mais hilárias que já li na minha vida!

    • Dica anotada, Mel! =D Ainda mais sendo engraçado, leituras assim são muito boas. ^^
      Nossa, quando vi a adoração do Basil, fiquei naquela: “Ok, vai lá dar um beijo nele logo.”

      • No filme mais recente que fizeram (acho que é de 2009), tem uma cena entre os dois bem homossexual. No sentindo bem explícito da coisa. Eu acho que perdeu um pouco da graça, porque o legal do livro é a ambiguidade. Escancarar a coisa fez ficar tão idiota. Sei lá.

  5. Eu lembro que li sobre esse livro quando tava na faculdade, e acho que cheguei a começá-lo, mas por mil motivos não segui em frente. Mas continuo tendo ele na minha lista de livros pra ler um dia. Sua resenha só me fez querer adiantar essa leitura programada haha!

  6. Foi uma boa revisão e especialmente útil. Eu gostei, e logo comprar o livro. O que me fez lembrar da marca nova série chamada Penny Dreadful, uma história que lida com a origem dos personagens literários clássicos como Dorian Gray e Dr. Frankenstein, a verdade é muito bom.

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