Resenha: Razão & Sensibilidade

Olhando para diversas metas literárias de 2011 (a quantas anda a lista de vocês, falando nisso?) não pude deixar de reparar que 90% delas contém pelo menos um livro de Jane Austen. Uma de minhas autoras preferidas, minha história com Miss Austen começou em 2005, último ano da faculdade de Letras e único em que tive Literatura Inglesa. O livro escolhido foi Orgulho & Preconceito, obra mais famosa da autora, e que recomendo a todos os não iniciados em Austen como a primeira a ser lida. Foi somente em 2009 no entanto que continuei a meta de ler todas as obras de Miss Austen, e a segunda foi Razão & Sensibilidade, primeira obra da autora a ser publicada.

Importante: Eu li o livro em inglês, então vou usar nomes de pessoas e lugares em inglês, visto que não sei se eles foram traduzidos ou não nas versões em português.

Jane Austen começou a escrever Razão & Sensibilidade em 1795, aos 20 anos de idade, mas ele só foi publicado em 1811. Originalmente chamado de Elinor & Marianne, o livro conta a história de duas irmãs – Elinor e Marianne Dashwood – que após a morte do pai, vêem sua fortuna consideravelmente reduzida e são obrigadas a mudar com sua mãe e irmã mais nova para uma casa pequena no campo. Marianne, muito como sua mãe, acredita que para realmente sentir algo é necessário expressar abertamente, portanto suas dores, alegrias, paixões e anseios são compartilhados com todos à sua volta. Elinor por outro lado, é bastante reservada, mantendo os pés no chão e sem revelar tanto seus sentimentos. Temos então a explicação para o título do livro.

Uma das coisas que me chamaram a atenção em Razão & Sensibilidade foram as críticas à sociedade da época. Primeiramente, Miss Austen fala sobre a injustiça da divisão de bens: após a morte do Sr. Dashwood, sua propriedade passa a ser inteiramente de seu filho mais velho e de outro casamento. Austen também se foca na questão de homens que se encantam com a beleza feminina e se esquecem do restante, terminando assim casados com “mulheres bobas”, como é o caso do Sr. e Sra. Palmer, relacionamento que nos rende boas risadas com suas pitadas de ironia, mas não deixa de ser triste.

Mas obviamente o foco da história é nas irmãs Dashwood, em Marianne especialmente. Com sua beleza e charme, logo que se mudam para sua nova casa ela desperta o interesse de Coronel Brandon, um rico homem de 35 anos. Marianne no entanto, não liga para o Coronel, especialmente após conhecer Willoughby, um jovem e bonito rapaz por quem ela se apaixona perdidamente. Por expressarem abertamente a preferência da companhia um do outro, todos dão como certo o noivado de Marianne e Willoughby, e mesmo após Willoughby se retirar subitamente da sociedade, ninguém além de Elinor duvida que um entendimento exista entre os dois e que em breve eles se reencontrarão para trocar alianças.

Em meio à dor da separação que Marianne expressa abertamente, fazendo com que todos sofram junto com ela, Elinor descobre um segredo de Edward Ferrars, rapaz por quem é apaixonada e quem acreditava nutrir um sentimento especial por ela também. Nesse momento somos apresentadas à Lucy Steele, personagem maliciosa que nos dá alguns dos melhores parágrafos de Austen nesse livro (talvez perdendo apenas para Fanny no segundo capítulo e Mrs. Jennings com suas contradições).

Com segredos, fofocas, reviravoltas e romance, Razão & Sensibilidade nos traz uma ótima história sobre amadurecimento, nos deixando grudadas em suas páginas do começo ao fim.

Pequenas Curiosidades:

– Jane Austen recebeu pela publicação de Razão & Sensibilidade o equivalente a $8,000.
– Ainda especula-se se o relacionamento entre Elinor e Marianne é baseado na relação entre Jane Austen e sua irmã, Cassandra.
– O primeiro rascunho da obra era em forma de cartas, mas o manuscrito original não sobreviveu.
– Razão e Sensibilidade foi publicado em 1811 e o nome de Austen não apareceu na capa. Tudo que as pessoas sabiam era que ele havia sido escrito por uma mulher.
– Razão e Sensibilidade ganhou versões televisivas em 1981 e 2008, e uma versão cinematográfica em 1995, que rendeu à Emma Thompson um Globo de Ouro por melhor roteiro (vejam o discurso de aceitação, em que ela finge ser Miss Austen).


Capa da primeira edição, sem o nome de Austen.

Ficha Técnica

Título: Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility)
Autor: Jane Austen
Editora: Martin Claret
Páginas: 312
Avaliação: 5/5 estrelas

16 respostas em “Resenha: Razão & Sensibilidade

  1. Como eu já tinha falado, eu ainda não li nada da Jane Austen. Quer dizer, para o curso de iglês, eu li uma versão resumida de Pride and Prejudice, e tenho que admitir, não me lembro de muita coisa. Agora comecei a ler esse livro, e apesar de ainda estar no começo, consigo percerber claramente as alfinetadas que a autora dá sobre a sociedade. E o engraçado é que, mesmo depois de tanto tempo, o livro continua sendo atual.
    E eu não sabia disso da capa! E mais uma pessoa, super atual, se a gente se lembrar que J.K.Rowling assina os livros com esse nome para que, no início, ninguém soubesse que ela era uma mulher!
    Já tenho Sense and Sensibility aqui e pretendo começar a ler quando terminar Pride and Prejudice (eu considero JAne Austen uma literatura diferente da que normalmente eu leio, então estou lendo os livros dela paralelamente com os outros…)

    • Pride & Prejudice é perfeito pra começar, Lany! A Lizzy é encantadora, e Mr. Darcy… bem, Mr. Darcy é Mr. Darcy! Sem contar que o Mr. Bennet é hilário e dá vontade de dar umas boas palmadas na Mrs. Bennet quase sempre que ela aparece!
      E eu não tinha feito essa conexão com a Jo! Impressionante que o tempo passa, passa e passa mas a raiz do machismo não desaparece… eu adoro uma frase de Persuasão, se não me engano, em que Anne e um amigo do Cap. Wentworth *suspiros* estão falando sobre a guerra dos sexos com relação a relacionamentos, e quando o rapaz cita os livros a Anne responde que todos os livros foram escritos por homens então não dá pra ter crédito por aí hehe.

      Vai me mantendo informada na sua leitura de P&P! Eu amoooo esse livro!

  2. Jane Austen é, sem dúvida, uma das minhas autoras preferidas! Eu adoro o estilo de sua escrita, as críticas que ela faz e a construção de suas personagens (que são sempre muito fortes e com opiniões bem formadas)! É incrível como a gente nunca sabe que surpresas aguardam as nossas heroínas. Gosto de como a autora nos mostra como não devemos julgar as pessoas pelas primeiras impressões que temos delas e como todos podem mudar (e amadurecer).
    Meu primeiro contato com a Jane foi através do filme de Orgulho e Preconceito (a versão de 2005) e desde então fui correndo ler os livros. Já li quase todos (na verdade, só falta A Abadia de Northanger) e espero ter lido todos até o final do ano!
    É tão bom poder conversar/ler/ouvir sobre Jane Austen! Adorei a resenha, Ily!!
    Beijos

    • Das heroínas dela a única que eu não gosto é a Fanny Price de Mansfield Park. Vontade de dar uns tabefes nela o livro inteiro hahaha. Mas ainda quero dar mais uma chance pra ela, vai ver eu não estava num humor muito legal quando li.

      Acredita que nunca vi a versão de 2005? Pra mim Colin Firth é e sempre será Mr. Darcy e ninguém tira isso dele! Apesar que já ouvi fãs hardcore de Miss Austen falarem bem do filme, então não sei. Tenho uma pitada de vontade de ver mas tenho medo também, mais de gostar do que de não gostar hahaha.

      A Abadia de Northanger é demais! Bem diferente dos outros livros, na minha opinião. A Miss Morland é encantadora de tão inocente, ela não é afetada que nem a Fanny Price, ela é simplesmente uma alma boa, inocente, que não vê maldade nas pessoas. Tem horas que isso dá raiva, mas é tão natural nela que a gente esquece. E o Mr. Tilney… ah o Mr. Tilney!

      E tá brincando Sá, eu AMO falar sobre Miss Austen! Minhas amigas sempre me mandam calar a boca haha

      • Eu também não gosto muito da Fanny!!! Ela também me irrita demais!!! Hahahaha… Tadinha, mas é verdade!
        Oba! Então sempre que quiser discutir Austen, pode contar comigo!!

  3. Eu li primeiro Orgulho e preconceito e só depois eu li Razão e sensibilidade. Eu achei que o segundo transcorreu mais lentamente, não sei se a narrativa me cansou – porque mostrava as exacerbações de sentimentos de Marianne e os sentimentos mais discretos de Ellinor e de repente me pareceu repetitivo.

    Não gostei do Edward. rsrs Eu prefiro o Coronel Brandon e estou gostando muito do Cap Wentworth de Persuasão. *__*
    Aliás, a leitura de Persuasão parece que está fluindo mais do que a minha leitura de Razão e Sensibilidade, acho que vai ocupar o segundo lugar na minha estante das obras de Jane Austen. rsrs

    Adorei a resenha, Ily! Eu quero muito assistir o filme Becoming Jane (apesar de saber que é exagerado em alguns pontos) pra ter uma ideia de como ela se sentia naquela época (se bem que não sei poderei dar crédito ao filme, né? tudo mto artístico e ensaiado…. hehehe)

    bjos!

    • A primeira vez que li R&S também achei meio cansativo, sem contar que não consegui perceber muito bem que a Elinor continuava super apaixonada pelo Edward, e esperava que ela pudesse ficar com o Coronel Brandon haha. Mas a segunda leitura fluiu muito bem, e talvez isso tenha sido com a ajuda do Hugh Grant, que fez o Edward no filme haha porque da primeira vez também não gostei muito dele não. Mas agora adoro, apesar dele não ser meu preferido e de continuar gostando mais do Coronel Brandon.

      Cap. Wentworth é demais! Às vezes eu tenho vontade de bater nele, mas adoro ele, especialmente no final do livro. E a Anne é tão mais madura que as outras heroínas (talvez ela se compare com a Lizzy nesse quesito, não sei), acho que o fato dela ser mais velha que a maioria pesa bastante a favor dela. Dá tanta dó hahaha

      Becoming Jane é legalzinho. Achei bem exagerado em alguns aspectos, do tipo que eu olhava pra TV e pensava “Miss Austen JAMAIS se comportaria dessa maneira” mas quem sou eu né haha

      • Eu assisti o filme com o Hugh Grant depois de ver o seriado da BBC. Preferi o seriado hahaha (acho q pq se aproximou mais do livro, ñ sei). Achei o filme mto mais devagar.

        Acho q vc podia arriscar o filme de 2005 de Orgulho e Preconceito, Ily. rsrs Não vai substituir o Colin Firfh, embora eu tenha gostado do filme.😄

        Estou ainda terminando Persuasion, mas o Cap. Wentworf vai ficar como um dos meus favoritos, com certeza. =D

        Também já me falaram q Becoming Jane exagera nos comportamentos das personagens, mas acho q fizeram isso tb pra aumentar o drama e o romance. rsrs

  4. Eu estou no nono período de Letras, já fiz trocentas matérias de literatura em inglês e eu sempre SEMPRE me empolgo com Jane Austen. Não importa quantas vezes eu tenha que ler. Ela é fantástica.

  5. Sense and sensibility é o meu Austen favorito. Elinor é minha heroina favorita. E eu simplesmente adoro Cel. Brandon e Edward Ferrars. Não é novidade que eu não sou fã do Mr. Darcy, né?😉

    Meu Austen do ano é Mansfield Park, o único que nunca li até o final. =P

    • Haha não Mi, não é! Apesar que depois de um tempo até eu deixei de ser tão fascinada pelo Mr. Darcy. Mr. Tilney e Mr. Knightley fazem mais meu estilo, apesar que ainda acho Pride & Prejudice demais! Você chegou a assistir à nova série de Sense and Sensibility? Eu quero fazer um paralelo entre ela, o filme e o livro, mas Brandon sem ser Alan Rickman não é Brandon haha.

      Mansfield Park eu não gostei. Fanny é muito blah! Quero dar mais uma chance, mas foi uma leitura muito arrastada pra mim…

      • E se eu contar que eu gostei mais do Brandon dessa série? Ele é mais o Brandon que eu imagino do que o Alan Rickman. Sei lá. Gosto do Brandon do Alan Rickman, mas o Brandon é bonzinho demais pro Alan Rickman. =D Meu Brandon sempre foi o Liam Neeson, pra ser sincera. Não sei pq. huahahahahahaha
        Se tu quiser ajuda pra fazer esse paralelo, sou parceira. Adoraria discutir a respeito.
        E eu só assisti Mansfield Park. Eu gosto da Fanny, mas não entro em Fanny wars até ler o livro.

    • Mi, eu topo fazermos as comparações sim! Vou te mandar um e-mail entre hoje e semana que vem com as ideias que tenho pra fazer isso, ok?

      Hahaha eu não entro em “Fanny wars”, simplesmente não gosto dela da mesma maneira que muitas pessoas detestam a Emma (que eu amo hehe). Mas como eu disse, vai ver eu tava num “dark place” quando li e por isso me irritei tanto com ela, vou dar outra chance.

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