Meu autor de cabeceira: Stephen King

A coluna “Meu autor de cabeceira” dessa semana falará sobre o meu “constant writer”, o meu fiel escritor, pois esse cara me acompanha desde que eu tinha onze para doze anos (ou seja, me acompanha há cerca de vinte anos) e jamais me decepcionou. Não direi exatamente que ele seja meu escritor favorito, embora esteja no meu top five, mas, definitivamente, é o meu escritor de cabeceira. O cara que me acompanhou pela vida inteira. O cara que sempre me faz largar qualquer coisa e devorar 900 páginas em dois dias.

Stephen Edwin King nasceu em 1947, no Maine. Seu pai abandonou a família, fazendo com que ele e seu irmão mais velho tenham sido criados apenas pela mãe, muitas vezes passando por dificuldades financeiras. King sempre foi um contador de histórias. Por volta dos onze anos, inspirado por filmes e histórias em quadrinhos, começou a escrever seus primeiros contos, os quais eram copiados com a ajuda do irmão e vendidos na escola e para o jornal local.

Reza a lenda que foi durante sua infância, ao presenciar a morte de um amigo nos trilhos de um trem, que sua tendência pelo macabro nasceu. King sempre negou o fato. No entanto sempre admitiu que outras experiências da infância o inspiraram para histórias futuras, como a história da menina pobre que era vitima de bullying e que inspirou Carrie.

Em 1966, ingressou na faculdade e conheceu Tabitha Spruce, grande amor de sua vida, com quem é casado até hoje e para quem, na maioria das vezes, dedica seus livros. Eles tem dois filhos (um deles é o autor de novelas de horror, Joe Hill). Em 1970 formou-se em Letras pela Universidade do Maine e, em 1974, publicou seu primeiro livro, Carrie. De lá para cá, entre romances, não-ficção, contos, A torre negra e os livros de Bachman, foram mais de 60 livros publicados em mais de quarenta países. Muitas de suas obras foram adaptadas para o cinema e, agora, ele anda flertando com os quadrinhos, uma vez que A torre negra e Dança da morte estão sendo adaptadas para esse formato. Ele andou escrevendo alguns roteiros, também.

Stephen King é conhecido como “O mestre do horror”, mas ele não é só isso. Stephen King é, antes de tudo, um contador de histórias. Muitas dessas histórias são macabras, isso é fato, mas ele também escreveu contos como Rita Rayworth e a rendição de Shawnshank, O corpo e a minisserie O corredor da morte (que mais tarde se tornariam os filmes conhecidos como Um sonho de liberdade, Conta comigo e À espera de um milagre).

cena de Salem's lot

Me deixa entrar. Eu juro que não brilho!!!

Buuuuuuuu

Claro que, suas histórias macabras são sensacionais. O iluminado, que fala sobre um alcoolatra que enlouquece em um hotel mal assombrado, e Dança da morte, que conta como a humanidade chega as vias da extinção devido à uma super gripe, estão entre os meus favoritos. Sem contar Salem’s lot (A hora do vampiro) que, na minha opinião, é o melhor livro sobre vampiros desde Drácula, uma vez que é um dos mais assustadores que já li. Vampirões malvados mesmo.

A torre negra

Eu já falei que Mr. King é um baita nerd? Em 1970 ele começou a escrever A Torre Negra e essa obra teve como fonte de inspiração Senhor dos Anéis e os chamados western spaghetti . O resultado disso foi a brilhante saga do pistoleiro Roland Deschain e seu  ka-tet num mundo que seguiu adiante, em busca da Torre Negra. No entanto Mr. King foi mau com seus leitores. A Torre negra demorou cerca de 30 anos para ser concluida. Ele somente a concluiu em 2004, depois de um acidente onde viu a morte de perto (estava correndo na beira de uma auto-estrada e foi atropelado) e ficou com medo de morrer sem terminar a série e deixar os “constant readers” em desespero.

Nessa época ele também comprou briga com o xaropão do Harold Bloom por causa da J.K. Rowling. Como, devido ao acidente, ficou muito tempo de cama, ele leu todos os livros de Harry Potter publicados até então. Caiu de amores pelo Harry (tanto que o cita diversas vezes em vários livros publicados depois do acidente – até mesmo nos últimos livros da torre negra). E quando o Bloom veio a público clamar que J.K. estava formando um exército de leitores de Stephen King (o que comprovou não ser verdade, uma vez que entre todos os leitores de Rowling que conheço ninguém se tornou leitor de King por influência dela), Mr. King publicou um artigo (que infelizmente não consegui achar o link pra postar aqui) bem desaforado defendendo-a. Na verdade ele públicou diversos artigos defendendo Harry Potter, como o que pode ser visto aqui no original e aqui traduzido. E eu aposto como ele já fez o teste do chapéu seletor e foi parar na Lufa-lufa pois, apesar de suas histórias macabras, ele é lufo, sim. Eu não tenho dúvidas.

Em setembro de 1977, King criou Richard Bachman. A coisa toda aconteceu por que King tinha muitas histórias não publicadas e sua editora não lhe permitia publicar mais de um livro por ano. Então ele começou publicar essas outras histórias com o pseudônimo de Richard Bachman. Como as obras foram escritas durante uma fase ruim da vida de King, onde esse não se preocupava com finais felizes, os livros de Bachman são um pouco diferentes do usual. Bachman tinha foto e biografia publicados na contra-capa e era considerado “Stephen King sem consciência”. As comparações foram inevitáveis. Mas a farsa só foi descoberta em 1985, depois da “morte” do próprio Bachman, por um livreiro desocupado que resolveu conferir o copyright e descobriu que o copyright dos livros de Bachman estavam no nome de King. Depois disso os livros de Bachman venderam ainda mais.

Richard Bachman nasceu em Nova Iorque, sua infância é um mistério. Em sua juventude serviu por quatro anos a Guarda Costeira. Mas tarde estabeleceu-se no centro rural de New Hampshire em sua fazenda. Costumava escrever a noite, pois sofria de insônia crônica, escrevia suspense e terror. Casou-se com Claudia  Inez Bachman, com quem teve um filho, que veio a falecer aos 6 anos num acidente. Em 1982 foi descoberto um tumor no cérebro de Bachman que foi removido numa cirurgia delicada. Bachman veio a falecer em 1985 de "câncer do pseudônimo".

Richard Bachman nasceu em Nova Iorque, sua infância é um mistério. Em sua juventude serviu por quatro anos a Guarda Costeira. Mas tarde estabeleceu-se no centro rural de New Hampshire em sua fazenda. Costumava escrever a noite, pois sofria de insônia crônica, escrevia suspense e terror. Casou-se com Claudia Inez Bachman, com quem teve um filho, que veio a falecer aos 6 anos num acidente. Em 1982 foi descoberto um tumor no cérebro de Bachman que foi removido numa cirurgia delicada. Bachman veio a falecer em 1985 de "câncer do pseudônimo".

Depois de revelada a farsa Bachman, continuou publicando. Sua “viúva” encontrou alguns manuscritos e, em 1996, Os justiceiros foi publicado. Desespero, de Stephen King foi publicado na mesma data. São os chamados “livros-gêmeos”, pois as capas, quando juntas, completam uma imagem sinistra e os personagens de ambos os livros são os mesmos, em universos diferentes.

Stephen King é um dos autores mais vendidos no mundo. Seu último livro publicado no Brasil foi Duma Key e o último livro ainda inédito no Brasil foi Just after the sunset. E eu espero que ele nunca se aposente.

Se você nunca leu Stephen King, está mais do que na hora de ler alguma coisa dele. O site  Stephen King Brasil tem uma série de livros dele para download e muitas informações interessantes. Vale a pena conferir.😉

12 respostas em “Meu autor de cabeceira: Stephen King

  1. Eu tenho medo dele! hahaha (tá, tenho mais medo das histórias, horror ñ me deixa dormir!)
    Ao mesmo tempo que sou super curiosa. Tenho uma amiga no trabalho que também é muito fã, ela está lendo Under the dome agora. Acho que vcs iam ter mta coisa pra conversar caso se conhecessem.
    E eu estou quase me convencendo a ler alguma coisa dele, mas o problema é minha pilha de livros lá em casa (embora já tenha abandonado alguns para me dedicar a outros…)
    Adorei seu post, Mi! King subiu no meu conceito quando defendeu a Jk! hehehe
    bjos!

  2. Eu li À Espera de um Milagre (o nome do livro é diferente do filme, é isso? Anyway, Green Mile. Lembro que fiquei morrendo de medo do ratinho (sim, eu sou medrosa haha) mas não conseguia largar o livro de jeito nenhum! Depois comecei a ler um outro que foi a Lia Wyler que traduziu, mas não terminei porque tava de mudança pra cá e uma coisa levou à outra e acabei não terminando. A Torre Negra eu comecei a ler, mas achei chato e abandonei. Pretendo dar mais uma chance um dia, minha mente provavelmente não estava no espírito pra esse tipo de história na época. Eu quero muito ler On Writing, vi várias resenhas positivas e parece ser bem interessantem tanto do ponto de vista de dicas pra escritores como do ponto de vista autobiográfico. Lembro de ter visto esse artigo que você postou e ter me emocionado com ele chamando a JKR de Ministra da Magia. Foi lindo! Especialmente por ter vindo de um autor consagrado como ele. E é claro né Mi, que você não poderia ter escolhido outro autor pra falar hahaha adorei!!

    • Tu precisa fazer o caminho do pistoleiro pra ler a torre negra, Ily. Ou seja: ou tu segue o homem de preto até o final do primeiro livro, ou desista. E o primeiro livro sabe ser bem chatinho.
      Mas dê uma chance a ele. Tente ler As quatro estações. São contos que não são assustadores. Tu vai gostar.😉

  3. King!!! Adorei Mi! Tinha coisas aí que eu não sabia, como as influências dele na infância e a capa de Desperation, achei sensacional xD E o negócio do Bachman também.

    Lendo a coluna me lembrei que PRECISO comprar Dança da Morte e ler. Coisa feia, ainda não li. Esqueci a face de meu pai. rsrs…

    O primeiro livro do King que eu li foi Carrie e achei sensacional na época. Depois li O Iluminado, e me apaixonei por ele. Mas A Torre é a obra prima dele. Todos deveriam ler… além de apaixonante, tem uma grande lição de vida. Aiiiiiiiiii que saudade do nosso ka-tet!

    Adorei a coluna parabéns😀

    • O meu primeiro foi Carrie também.😄
      Kakazinha, A dança da morte é carinho, mas vale a pena. Vale muito a pena. É um dos melhores livros dele. Melhor até que IT.
      E, claro, temos o Flagg lá.😉

  4. Stephen King rules!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Adoro os livros e meu favorito é A Torre Negra seguido por O Iluminado e Duma Key. E ele é um cara super simpático, atencioso com os fãs e sempre disposto a defender qualquer bom livro.

    Morra Harold Bloom, morra!!!!!!

  5. Pingback: Livros de terror – algumas recomendações | Por Essas Páginas

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  7. Sei q esse post já tem mais de um ano, mas como consegui (finalmente) comprar “Os livros de Bachman” acabei caindo aqui pelo google.
    Mto bom o post.
    Já li muitos livros do S. King (ele é meu escritor favorito, com certeza, bem acompanhado por José Saramago, Gabriel Garcia Marquez, Carlos Ruiz Zafon, Rubem Braga etc… mas é o primeiro).
    Pra mim, de todos os livros dele, o q mais mexeu comigo foi “O cemitério”… beleza, pode ter gente falando q a história de um é melhor, o estilo do outro é melhor, torre negra isso, quatro estações aquilo… todos ótimos, claro, mas “O cemitério” me ganhou pelo final. Não pelo desfecho, mas pela sensação que ele deixa (e não fui só eu hein, outras 4 pessoas pra quem emprestei o livro falaram a mesma coisa). Não é medo, não é tristeza, não é nada explicável … é uma sensação de peso nos ombros, estranha mesmo e que dura semanas. Acho q com esse livro Stephen King inventou uma sensação.
    Além, claro, da força de personagens como Judd Crandall, Vitor Pascow, Gage e até o gato Church.
    Enfim, acho q “O cemitério” vale o esforço de um post tão bom qto esse aqui. (E torcendo pro remake do filme não manchar a clássica primeira versão).

    • Oi Wagner, onde vc conseguiu os livros de bachman, e por quanto, estou em busca e encontrei por 200,00 ta caro a coisa

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