Meu autor de cabeceira: Jack Kerouac

Jean-Louis Lebris de Kerouac nasceu em 12 de março de 1922, em Lowell, Massachusetts. Teve uma infância muito séria. Era extremamente dedicado à mãe. Estudou em escolas públicas e católicas e jogava futebol, que foi seu passe de entrada para a Universidade de Columbia,em Nova Iorque.

Foi em Nova Iorque que conheceu seus companheiros delinqüentes Neil Cassidy, Allen Ginsberg e William Burroughs que, mais tarde, junto com ele, seriam os maiores expoentes da geração Beat.

Largou a faculdade no segundo ano depois de uma briga com o treinador e foi morar com a namorada, Edie Parker. Mais tarde juntou-se à Marinha Mercante, em 1942, dando início ao período de sua vida que chamava “vida on the road”.

Mapa das viagens de Kerouac pela América do Norte

Foi durante esse período que começou a fazer, juntamente com Neil Cassidy, suas viagens através dos Estados Unidos. E foi no meio das viagens que escreveu seu primeiro romance, Cidade pequena, cidade grande (The town and the city), publicado em 1950. Mas só obteve sucesso mesmo com a publicação de On the road, em 1957, que anos mais tarde, para a desgraça do autor, foi considerado a bíblia hippies.

manuscrito original de on the road

Kerouac escreveu On the road em abril de 1951, em três semanas, abastecido por café e benzedrina. Escrevia numa técnica que ele chamava de prosa espontânea, uma espécie de fluxo de consciência. O manuscrito original é um rolo imenso, pois Kerouac não parava para trocar as páginas, isso o faria perder o fluxo de pensamento. No entanto o manuscrito original demorou muito tempo para ser publicado na integra. Os editores exigiram inúmeras alterações e On the road só foi publicado mesmo em 1957.

Kerouac tornou-se famoso do dia para a noite, depois do lançamento de On the road, coisa que não levou muito bem. Muitos críticos conseguiram compreender o caráter inovador da obra, mas muitos a consideraram imoral. E o reconhecimento instantâneo o deixou paranóico. Ele tinha medo de ter que viver para sua imagem publica, medo que as pessoas pensassem que ele era Sal Paradise e não quem ele realmente era.

Por volta de 1958, Jack Kerouac se isolou do mundo. Passou algumas semanas em uma cabana isolada, bebendo que nem um cachorro e tendo alucinações. Esses eventos, mais tarde, foram relatados em Big sur, publicado em 1962.

Kerouac publicou diversos livros ao longo da vida como Os subterrâneos (meu favorito), Vagabundos iluminados, Maggie Cassidy, O viajante solitário, entre outros. Até uns anos atrás não era fácil encontrar obras dele. Eu mesma só consegui ler On the road em 1998, quando a L&PM resolveu publicar a obra em português, traduzida pelo infame do Eduardo Bueno. Depois disso, abençoada L&PM, começou a lançar toda a obra do autor em Português. Delá para cá já temos 15 titulos publicados pela editora e a tendência é que mais ainda venham. L&PM, te dedico!

Além de Kerouac, a L&PM publicou diversos títulos de outros autores beatniks também.

Recentemente, após a morte do último envolvido, a Companhia das Letras publicou E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques, que foi escrito a quatro mãs por Kerouac e William Burroughs e fala sobre o assassinato de David Kammerer por Lucien Carr, ambos amigos dos dois escritores.  Simplesmente fantástico.

cena do filme On the road

Jack Kerouac, no momento, não é um dos escritores mais citados entre os favoritos de muitos leitores. Ele é um cara que fica mais dentro do âmbito de leituras do pessoal mais underground. E assim continuará até o filme, protagonizado por Bella Swan e Mary Jane Parker ser lançado. Confesso estar bem ressabiada com esse filme, mas vamos ver… É do Walter Salles, afinal… E será interessante ver todo mundo lendo o cara, sabendo de quem se trata.

Eu sei que é uma heresia falar de Jack Kerouac e não explicar o que foi o Movimento Beat e quem foram os beatniks, até porque ele foi o cara que encabeçou tudo isso. Mas acho o assunto deveras complexo para explicar em um pequeno parágrafo dentro desse artigo. No entanto prometo fazer um artigo todo falando do assunto assim que for possível.

Jack morreu em 21 de outubro de 1969, de tanto beber. Inclusive ele entrou para o top ten dos escritores americanos mais beberrões de todos os tempos (o que me faz notar que dos dez citados, pelo menos cinco estão entre meus escritores favoritos e com muitas chances de aparecer nessa coluna).

Jack Kerouac e William Burroughs – juntos escreveram E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques

11 respostas em “Meu autor de cabeceira: Jack Kerouac

  1. Mi, eu quis ler On the Road desde que me mudei pra cá, mas por um motivo ou outro nunca dá certo. Seu post me inspirou e antes da minha próxima viagem, eu vou comprar o livro e dar um jeito de começar a ler. Adoro que ele tá na lista dos escritores mais beberrões haha, o cara devia ser um sarro!

    • Ele era lindo!!! =D
      Olha, On the road é fantástico. O único detalhe é que tu vai querer fazer igual. Ainda mais tu. Então, não vai fugir de casa depois.😉

      • Esse é meu medo hahaha de repente eu cancelo a viagem pra Holanda e boto o pé na estrada, Kerouac-style! Mas isso só teria graça se você tivesse junto haha

  2. Nunca li, mas morro de vontade.

    Então, a Kristen é uma boa atriz, Mi. Sério mesmo. Eu gostei muito da atuação dela em The Runaways e em Into the Wild.

    • Mel, Leleco precisou de dez anos, Revolutionary road, Shutter island e Inception pra me convencer disso. A Kristen vai precisar se esforçar um pouco mais. Quem sabe não será On the road que vai me convencer?
      E leia. Tenho certeza que tu vais amar.😉

  3. Vai popularizar, é fato. Não que isso seja ruim, o que é bom deve ser popularizado mesmo.
    Meu receio do filme não tem nada haver com isso. Kloves me deixou traumatizada para o resto da vida e sempre ficarei com receio de qualquer filme baseado em um livro que eu goste.

  4. Por que o tradutor é infame? hahaha

    Ainda não li nenhum livro dele, infelizmente. Mas vc descreveu tudo com tanta paixão, que eu vou tentar encaixar alguma coisa na minha lista de leitura – eu acho que entra no quesito “must be read”. rsrs

    • Por que o tradutor é o Peninha e ele é uma mala gremista. Ele escreveu o livro do Grêmio para aquela coleção do Clube dos 13. E as gazelas se acham por causa disso.
      Times de futebol a parte, o Peninha foi um excelente tradutor para esse livro. Ele é o cara que escreveu aqueles livros sobre história do Brasil, sem ser historiador. Ficaram famosos no final dos anos 90. Não o acho grande coisa como escritor. Ele é polêmica demais e conteúdo de menos. Mas há quem goste. Como tradutor o cara é fera.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s