Resenha: Na Natureza Selvagem

“O corpo em decomposição de um jovem é encontrado no Alasca. A polícia descobre que se trata de um rapaz de família rica do Leste americano que largou tudo, se internou sozinho na aridez gelada e morreu de inanição.
Quem era o garoto? Por que foi para o Alasca? Por que morreu? Para responder a essas e outras perguntas, Jon Krakauer refaz a trajetória de Chris McCandless, revelando a América dos que vivem à margem, pegando carona ou circulando em carros velhos, vivendo em acampamentos e cidades-fantasmas. Mergulha no mundo da cidadezinha rural, onde homens rudes bebem e conversam sobre o tempo e a colheita. Compara a história do jovem com a de outros aventureiros solitários que tiveram fim trágico.
O resultado é uma narrativa envolvente, por vezes amarga, em que os sonhos da juventude se transformam em pesadelo.

Fonte

O livro Na Natureza Selvagem tem uma história peculiar. Primeiro porque é um livro de não-ficção (a peculiaridade nesse caso se deve ao fato de eu não ler muitos livros desse gênero); segundo porque é a continuidade de um artigo escrito por Jon Krakauer em 1993 para a revista Outside. Na Natureza Selvagem conta a história de Chris McCandless, um jovem americano que após se formar na Emory University deixou de se comunicar com sua família, doou todo seu dinheiro para uma instituição de caridade e saiu em viagem pelos Estados Unidos e México. Seu corpo foi encontrado em 06 de Setembro de 1992, dentro de um ônibus abandonado no Alasca.

Na Natureza Selvagem é um livro que você pega para ler já sabendo o que acontece: Chris McCandless morre. Mas apesar de não ter o clímax que estamos acostumados, à medida que a leitura avança e conhecemos um pouco mais sobre McCandless, é impossível não se pegar desejando que a história tenha um final diferente. Unindo relatos da família de Chris e de amigos que o conheceram (seja como Chris ou como Alex Supertramp – nome que adotou diversas vezes em sua viagem) durante os dois anos que sua peregrinação durou, Krakauer consegue dar forma e vida ao jovem de classe alta que abandonou tudo para viver mais perto da natureza.

Ao contrário do que a maioria imagina, Krakauer mostra que McClandess não era anti-social e que haviam motivos para ele ter se afastado de sua família. Aliás, os capítulos em que temos depoimentos da irmã e da mãe de McCandless são muito emocionantes, especialmente quando elas se deparam com a eterna pergunta do motivo de uma pessoa tão jovem ter tido uma morte tão trágica. Há quem diga que ele procurou, que ele mereceu. Mas assim como todas as outras pessoas citadas por Krakauer em seu livro, McCandless não teve medo de sair em busca do que considerava importante para si, ele deu sua cara a tapa e foi atrás de seus sonhos. Afinal de contas, não são muitas as pessoas que podem bater no peito no final de suas vidas – especialmente quando elas duram apenas 24 anos – e dizer “Eu Tive Uma Vida Feliz e Agradeço ao Senhor!


Trailer da adaptação cinematográfica dirigida por Sean Penn

Ficha Técnica

Título: Na Natureza Selvagem (Into the Wild)
Autor: Jon Krakauer
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 214
Classificação: 4 estrelas

10 respostas em “Resenha: Na Natureza Selvagem

  1. Outro dia um cara aqui do escritório me contou a história do filme, não lembro se ele tinha lido o livro também. Me deu uma dó porque… [insira um grande spoiler aqui que não posso contar]. Mas enfim, acho que vc sabe de qual parte q to falando, devo ter mencionado isso lá no forum. rsrs
    São poucos livros de não ficção que eu curto, eu acho que com esse eu ia chorar horrores, mas tenho mta curiosidade pra ler e assistir o filme.

    • Eu vi o filme em 2008 e chorei que nem criança. No livro nem tanto, são mais fatos mesmo. E não sei a qual spoiler você se refere… você mencionou os spoilers no fórum, mas não exatamente qual hehe

  2. Fiz uma pequena pesquisa depois de ler a resenha… Nossa, como é triste! Sei lá, acho que quem realmente se revolta com o modo que vive faz isso, abandona tudo.
    Também tenho curiosidade, assim como a Lucy disse. Mas olha, isso é mesmo bastante tocante. Não sou adepta da ideia de viver assim, porém admiro o cara por ter vivido de acordo com o que acreditava até o fim, literalmente, sendo feliz com suas escolhas.
    Ótima resenha, Ily! Me fez ter curiosidade o bastante pra sair procurando sobre o livro e o filme assim que li!

    • Ah que bom Nik! A história dele me fascinou desde que li a respeito pela primeira vez. Quando vi o filme pensei que teria que ler o livro mais cedo ou mais tarde, e realmente, o livro mostra mais detalhes especialmente da briga dele com a família… é bem triste ver isso, e depois a tristeza especialmente da mãe dele… Espero que você leia o livro e/ou assista ao filme Nik, ambos são bem interessantes!

  3. Eu realmente não conhecia o livro, e me lembro muito vagamente de alguém falando do filme. Mas eu me interessei bastante! Normalmente, eu não leio não-ficção, mas acho que darei uma chance para esse!

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