Resenha: Bloodlines

ATENÇÃO: Essa resenha contém spoilers dos seis livros da série Academia de Vampiros.

 Okay, eu admito: a série Vampire Academy da autora Richelle Mead é meu grande guilty pleasure literário. Li os cinco exemplares, embora não saiba exatamente o que me levou a continuar lendo livros narrados por uma personagem que eu simplesmente detesto. Mas lidos eles foram, e embora Rose e Dimitri não façam parte do hall dos meus personagens favoritos, outros ocuparam esse posto dentro da série, especialmente Adrian Ivashkov. Por isso eu fiquei extremamente contente quando esse spin-off foi lançado: poderíamos ver um pouco mais de Adrian, dos Moroi, Dhampirs e Alquimistas que permeiam o universo criado por Mead sem a chatice da Rose. Para ler Bloodlines não é necessário ter lido a série predecessora, embora ajude no entendimento da história.

Para entender o unverso de Bloodlines, é preciso no entanto saber algumas coisas: a sociedade é composta por quatro raças: Strigoi (vampiros no melhor sentido da palavra); Moroi (vampiros que podem sair no sol – embora tenham pouca tolerância – e que se alimentam de sangue humano ocasionalmente); Dhampir (o cruzamento entre Moroi e humanos, ou Moroi e outros Dhampir. Eles são os guardiões dos Moroi); e humanos. Dentre os humanos existem os Alquimistas, cujo trabalho é proteger os humanos dos vampiros, especialmente os Strigoi. Para isso eles trabalham em conjunto com os Moroi e Dhampir, mas os acham igualmente perversos. Cada Moroi possui a habilidade de controlar um elemento: água, fogo, ar, terra ou – em casos raros – espírito. Adrian, personagem que teve seu coração partido por Rose Hathaway durante Last Sacrifice (último livro de Vampire Academy) possui o dom do espírito.

Enquanto Vampire Academy nos deu a perspectiva dos vampiros e sua sociedade, em Bloodlines nós temos a visão dos Alquimistas através dos olhos de Sydney Sage. Começamos o livro com Sydney metida em uma confusão com seus superiores – especialmente seu pai – por ter saído de seu caminho para ajudar Rose. A pior ofensa para um alquimista é ser considerado um “amante de vampiros” e Sydney precisa convencer a todos que ela não está em liga com as criaturas da noite. Ela então recebe uma missão dos alquimistas: ajudar a proteger Jill, a irmã da Rainha dos Moroi. Para isso, ela é obrigada a se matricular num internato juntamente com Jill e Eddie – o Dhampir responsável por sua guarda – e fingir ser irmã deles.

Mas é claro que Richelle Mead não deixaria a coisa tão simples assim. Keith, o alquimista responsável pela área onde eles estão, detesta Sydney e quer vê-la longe dali, especialmente quando ela começa a investigar a fonte de uma tinta especial usada em tatuagens que seus colegas da escola têm, tatuagens essas que prometem aguçar os sentidos, dar inteligência e força por um certo período. Sydney também tem que tentar descobrir porque tudo que acontece com Adrian – que está morando numa casa perto da escola – afeta Jill, mesmo que isso signifique passar mais tempo do que ela gostaria na presença do sarcástico Moroi.

Eu demorei muito pra finalmente ler Bloodlines porque estava com medo de como Mead trabalharia a relação entre Adrian e Sydney. Desde que o spin-off foi anunciado, eu não tive dúvidas de que os dois seriam o par romântico pretendido para essa série, e isso me deixou com o pé atrás. Mead trabalhou esse quesito com maestria no entanto: a química entre os dois é inegável, ela está lá desde o começo. Contudo, Adrian acabou de sair de um relacionamento extremamente complicado, no qual ele teve suas expectativas esmagadas sem piedade alguma. Juntando isso ao fato de que ele já não é uma criatura muito estável – com toda a bebedeira, mulheres e tudo mais – Adrian é um homem quebrado em Bloodlines. Sydney por sua vez, o considera uma criatura das trevas, um ser não natural que não merece nada além de desprezo. Mas mesmo assim ela o ajuda, ela o incentiva porque no fundo ela consegue entendê-lo: ninguém espera nada dele. Se ele faz algo bom, todos acham que ele tem uma agenda escondida; se ele faz algo ruim, ninguém se impressiona, porque afinal de contas é o Adrian, e é isso que se espera dele. Sydney passou sua vida inteira  sob pressão, tentando corresponder à expectativas impossíveis, e por isso ela decide dar um voto de confiança a Adrian. O companheirismo que surge entre eles é natural devido às circunstâncias nas quais eles se veem envoltos, e eu não vejo a hora de ler como Sydney vai lidar com a mudança que certamente veremos em suas crenças.

Bloodlines é um livro para ser devorado em apenas algumas horas, uma leitura fácil e prazerosa que vai te deixar ansiando por muito mais. A boa notícia é que o segundo livro da série – The Golden Lily – será publicado ano que vem nos Estados Unidos.

Ficha Técnica:

Título: Bloodlines
Autor: Richelle Mead
Editora: Razorbill
Páginas: 421
Avaliação: 4/5 estrelas

18 respostas em “Resenha: Bloodlines

  1. Não vou ler nada desse post porque quero terminar de ler a série anterior. Mas eu gosto da Rose, Ily. Tudo bem que ela ficou mais chata depois do segundo livro, mas sei lá, pelo menos ela tem iniciativa. Mas confesso que agora pra frente com esse drama Dimitri e Adrian minhas chances de continuar dela são bem pequenas… hahaha

    • Eu não gosto dela e não é por causa do Dimitri ou do Adrian. Não tem nada a ver com o triângulo amoroso. Eu acho que a autora a colocou “tudo de bom” demais e pra mim, isso não foi trabalhado direito no primeiro livro, o que resultou na minha antipatia por ela. O enredo é demais, particularmente depois do terceiro livro, mas não tem nada que me faça gostar da Rose… eu a suporto apenas, infelizmente.

  2. Não li nenhum dos dois. hahaha
    SPOILERS! \o/

    Mas eu tenho curiosidade em ler Academia dos Vampiros. Pelas q vc falou, dá pra ler rapidinho. rsrs

  3. E eu fiquei enrolando para ler… Mas depois dessa sua resenha, eu vou passar ele na frente dos outros livros hahaha! Eu gostava de Vampire Academy (tirando algumas coisas do último livro), gosto do Adrian (aliás, o que mais me revoltou no último livro foi exatamente o que a Rose faz com ele!), então provavelmente eu vou adorar Bloodlines!

    • Sério Lany? Eu não esperava nada além disso da Rose. Não fiquei decepcionada, nem revoltada nem nada… a única coisa que pensei foi “pronto, agora o Adrian vai tomar na cabeça e ver quem ela realmente é” e foi exatamente isso que ele fez. Aquela cena dos dois em que ele diz um monte de verdades pra ela é uma das minhas preferidas. Ele resumiu o que eu sempre achei dela em algumas frases e eu vou adorá-lo para sempre por isso, porque aparentemente ele é o único ali que a vê como eu a vejo hahaha. E ele está demais nesse livro, leia sim, vale a pena!

  4. Algo me diz que eu vou acabar ficando com pena do Adrian, né? Meio difícil de entender para quem está no terceiro livro, mas toda resenha que eu leio diz a mesma coisa.

    Mas ainda tenho que ler o resto de VA.

    Bjos

    • Hahahaha sim Mari, com certeza… bem, quando eu terminei o sexto livro eu não fiquei com pena dele não… fiquei achando bem feito, bem naquele estilo de “você procurou, você encontrou, bem feito” mas confesso que lendo Bloodlines e vendo o depois da coisa toda, é difícil não sentir um pouco de compaixão por ele, viu.

      Termine logo VA hehe

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  11. ja eu gosto da Rose. mais cada um tem sua opinião… Coisa que eu respeito muito. Sabi eu queria saber se a ROSE vai voltar a narra o livro? ja que eu so li ate o sexto livro n sei dos outros. e quanto ao Adrian faço suas as minhas palavars. bjs estarei esperando a sua resposta

  12. Lendo Academia de Vampiros agora,e a história é simplesmente fascinante, esses personagens realmente te intrigam e em suas singularidades enriquecem a história.
    Apesar de toda essa “adoração” que se faz entre Rose e Dimitri, ele um dos personagens
    que menos me atraiu, e nada carismático, na minha opinião.
    De qualquer forma só estou no começo, e sua resenha só me fez querer ler logo todos os livro dessa maravilhosa série.

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