Sobre narrativas…

Tudo começou quando eu estava lendo Bloodlines. Na verdade, eu nem ia ler esse livro agora, mas depois da resenha da Ily Vania, eu fiquei super animada  e resolvi modificar a minha ordem de leitura. Depois de parar várias vezes por causa de tanto rir, eu comecei a me questionar “Mas bem que poderiam ter capítulos narrados pelo Adrian e não só pela Sidney!”. E isso me levou a pensar em exatamente como a narração pode mudar um livro…

Em primeiro lugar, gostaria de lembrar que eu não tenho conhecimentos técnicos sobre o assunto. Então, essa é a minha opinião apenas como leitora!

Não existe fórmula mágica nem uma receita certa para escrever um livro. E é por isso que a escolha de como vai ser a narração e principalmente quem vai ser o narrador deve ser feita com bastante cautela. O roteiro pode ser exatamente o mesmo, mas a leitura é completamente diferente dependendo do narrador. Alguns livros possuem somente um narrador mas em outros são vários. Essa diferença é realmente relevante para os livros?

A mudança de narrador salvou o livro Breaking Dawn, de Stephenie Meyer, na minha opinião. A narração de Jacob Black é completamente diferente da de Bella Swan. Enquanto os capítulos narrados pela Bella tinham títulos como “Engaged” e “Long Night”, os de Jacob já mostravam seu humor completamente sarcástico. “Why didn’t I just walk away? Oh right, because I’m an idiot” e “You know things are bad when you feel guilty for being rude to vampires” são apenas alguns ótimos exemplos. Finalmente, pudemos perceber quem era Jacob Black e, convenhamos, muita gente que odiava ele até Eclipse mudou completamente de opinião. Sempre que me perguntam o que eu mais gostei nesse livro, eu respondo: narração do Jacob. Porque o roteiro mesmo do livro…

Um outro exemplo muito interessante é quanto a série da mitologia grega de Rick Riordan. Enquanto “Percy Jackson e os Olimpianos” foi narrada somente por Percy, “Heróis do Olimpo” possui inúmeros narradores. Confesso que eu tenho uma preferência por mais de um narrador porque deixa a história muito mais dinâmica. Mas, entendo as escolhas de Rick: a primeira parte era sobre Percy e somente ele. Mesclar narrações poderia acabar tirando o foco do protagonista. Já na segunda parte da série, foi exatamente o oposto: o foco é a grande profecia e todos os personagens envolvidos nela.

E o que dizer de Nora Roberts? Um dos motivos de adorar os livros dela é exatamente relativo à narração. Nós ficamos sabendo os pensamentos dos dois personagens envolvidos no romance central da história. O mais interessante é que o narrador é em terceira pessoa e a gente consegue perceber exatamente, em cada frase, qual personagem que está em foco. E não necessariamente são os dois protagonistas: muitas vezes, personagens secundários também ganham destaque. E é isso o que eu passei a sentir falta nos outros livros de romance. Normalmente, o livro é narrado pela protagonista e nós não tem nenhuma narração da parte do “mocinho”. Eu gosto quando a gente conhece os dois lados. Até porque tem protagonistas que idealizam demais o seu par romântico… É por isso que eu fiquei muito feliz quando em Insaciável, Meg Cabot finalmente utilizou mais de um narrador na sua história!

E vocês devem estar se perguntando “Mas e Harry Potter”? Assim como no caso de Percy Jackson, a escolha foi muito sensata. Eu queria capítulos narrados por outros personagens? Ah, mas como queria! Mas não funcionaria tão bem. A saga é sobre o Harry e os leitores tem que se aproximar o máximo possível desse personagem. Além do que, é interessante ter somente as mesmas informações que ele… Tenho certeza que não era somente eu que ficava brigando com o livro quando o Harry fazia algo errado!

Enfim, eu gosto muito de ter vários narradores na mesma história, mas é claro que nem sempre isso é possível. Mas e vocês, o que vocês acham?

Enquanto isso, voltarei a minha leitura de Bloodlines, porque Adrian me espera!

16 respostas em “Sobre narrativas…

  1. Lany, eu acho que cada livro meio que “pede” um tipo de narrador. E como você disse, depende da proposta do livro. Mas eu confesso que também gosto mais de narrativas múltiplas, não só pela dinâmica, mas porque eu realmente acho que não existe verdade absoluta e sim diferentes pontos de vista.

    E é por isso que gosto quando os vilões também podem ter sua voz captada!

    • Pois é. Com vários narradores fica mais fácil a gente analisar os fatos. Quando é um só… A gente pode acabar se levando pela opinião dele.
      Nos livros da Nora Roberts que tem suspense, sempre tem algum trecho sobre o vilão. E é ótimo entender um pouco sobre ele!

  2. O narrador é tudo!!! Essa é a genialidade do George R. R. Martin em A song of ice and fire. São vários narradores e vários pontos de vista diferentes. Então heróis ou vilões vai depender de com quem tu te identifica.
    Harry Potter narrado por outro personagem seria subversão. huahahahahaha!!! Imagina só a gente ficar olhando a história pelo ponto de vista do Ron, por exemplo, especialmente no quinto livro.
    Adorei o texto, Lany. ;-D

  3. Nossa, Lany, adorei teu post! Parabéns!!!
    Quanto aos narradores, eu tenho uma preferência por primeira pessoa (mas primeira pessoa mesmo com “eu faço” ou “eu fui”), como acontece em Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Jogos Vorazes… e tantos outros. Além de ter essa preferência na leitura, eu tenho na escrita também. Às vezes eu faço na terceira pessoa, focada em um ou vários, mas várias vezes me pego (e como disse a Mel) a história pede que seja em primeira pessoa. Acho que fica mais pessoal e você dá aquela visão única, é mais fácil controlar o que o leitor vai saber ou colocá-lo em paranóia (tipo que nem você lendo Dom Casmurro pela visão do Bentinho, o cara mais perturbado haha…). E o que dizer da Katniss, que a gente quase fica louca junto com ela em A Esperança?
    Hey, Mi, não esqueça do King que ele também já fez antes esse esquema do Martin!!!🙂 Mas sabe que eu empaco um pouco com histórias assim? Até Dança da Morte eu tô empacando, e é exatamente assim. Eu fico um pouco de saco cheio em conhecer todos os personagens, cada um em um capítulo, e depois voltar a vê-los lá na frente e ficar me lembrando “quem são vocês”? rs😛
    Olha, vocês sabem que eu amo Harry Potter e O Harry, mas eu adoro a narrativa do Percy. Ele tem esse humor negro e sarcástico que me deixa apaixonada pela leitura. O Harry não, ele tem uma narrativa mais pesada, como posso dizer? Hummm… mais sofrida? Mais que se importa? O Percy é mais “tô-na-merda-mesmo-e-foda-se-hahaha”.
    Mas realmente, a escolha da narrativa é muito importante. Pode mudar completamente o rumo de um livro. Cara, falar disso é muito apaixonante e eu já me estendi demais no comentário! hahahaha
    Ótimo post!!!

    • Eu gosto muito de narração em primeira pessoa. Eu acho que deixa o texto bem envolvente! Como você disse, a gente quase fica maluca com a narração da Katniss, por exemplo. Parece que a gente está totalmente dentro da história!
      Eu acho que quando a narração é com muitos personagens pode realmente atrapalhar um pouco a fluidez da leitura. Eu tenho péssima memória para nomes, então eu tenho que ficar voltando para saber quem é quem rs! Mas no geral, se não tiver muitos personagens, eu gosto de vários narradores!
      Eu AMO, AMO, AMO a narrativa do Percy. Está tudo dando errado, ele está ferrado e mesmo assim… Ele faz piada. Ele ri da cara do perigo. Nada para ele é impossível… Isso sem contar os comentários irônicos.
      Já o Harry… Ele é mais sério. Não sei se sério é a palavra certa, mas… Ele realmente é mais sofrido…
      Ah, que nada Kakazinha, o comentário nem ficou grande! Adoro também comentar sobre o assunto hahaha!

  4. Meu tipo de narrativa preferida é aquela em primeira pessoa mas sem aquela pessoalidade do “eu falei” ou “eu vi”. Mas, mesmo assim, adoro quando o autor muda o ponto de vista e mostra como outro personagem sente e pensa sobre a mesma situação. Claro que depende da proposta do livro, mas quase sempre é uma maneira de enriquecer a história. Eu demorei um pouco para me acostumar com as trocas de “Os Heróis do Olimpo”, mas concordo que é uma maneira interessante que o Rick Riordan encontrou para mostrar melhor cada um dos personagens e diferenciar da série “Percy Jackson e os Olimpianos”. Ah, e quero muito mesmo ver a Annabeth contando a história no próximo livro, estou torcendo muito pra isso.
    Muito bom mesmo o post, sis. É o tipo de coisa que às vezes a gente não pára para perceber como é importante.

    • O meu problema com “Os Heróis do Olimpo” foi que não tinha a narração do Percy hahaha! Eu ADOREI terem vários narradores, mas ficar sem o Percy foi triste para mim. Como eu respondi no comentário para a Kakazinha, eu adoro a narrativa dele!
      Ai, eu quero muito pelo menos um capítulo narrado pela Annabeth! Principalmente se tiver uma cena que ela briga com o Percy hahaha!

  5. Òtimo post Lany….
    Realmente o que seria de Amanhecer sem o Jacob?
    Falando de Rick Riordan… nas crônicas de Kane eu adoro a mudança de humor a cada capitulo contada por Carter e Sadie!
    Em Ecos da morte, a autora mostra a cada capitulo intercalado a visão do assassino que esta atras da mocinha em primeira pessoa.. e isso torna a leitura muito mais instigante!!!
    Acho que tudo depende… mas sempre é boms e aproximar de um personagem que é segundo na obra, como seria bom ter o lado de Etienne em Anna e o Bjo Francês?
    E e o pq dos fãs quererem tanto midnight Sun, com a versão de Edward Cullen…

    Bjokasssssssssssss

    • Ai, imagina só um capítulo narrado pelo Étienne! Seria TUDO de bom!
      E Amanhecer sem o Jacob não teria a mesma graça! O humor sarcástico que ele tem é perfeito. Até hoje eu ainda rio com os títulos dos capítulos hahaha!

      • Poxa, eu não gostaria de um capítulo do Étienne. Não me levem a mal: AMO o St. Clair, mas que ele teve seus momentos fdp ao lidar com a situação Anna/Ellie, ele teve. Acho que só me deixaria com raiva dele haha

  6. Eu acho que como você falou Lany, para cada livro seu tipo de narração. Harry Potter não funcionaria tão bem se tivessem diversos narradores. Eu tenho minhas ressalvas com narração múltipla: algumas eu gosto, outras nem tanto. Acho legal podermos ver exatamente do que personagens secundários são feitos, o que os motiva e tudo mais, mas também gosto de ver isso através dos olhos de somente um narrador, e é aí que eu acho que realmente entra a maestria de um autor: a capacidade de nos fazer entender um personagem secundário apenas com a visão de um narrador, especialmente se o livro for em primeira pessoa. Eu acho isso o máximo! Discutindo Hunger Games com minhas amigas aqui, elas me perguntam “mas como você sabe isso sobre o Gale?” e eu sempre respondo que está lá no livro, escondido, esperando ser encontrado, porque nada é por acaso e se a gente prestar atenção acabamos descobrindo as mesmas coisas que descobriríamos se alguns capítulos fossem no ponto de vista daquela pessoa.

    • Até algum tempo atrás eu também achava o máximo tentar entender um pouco mais os personagens secundários. E eu fazia muito isso em livros de romance. Aí veio Nora Roberts… E me deixou muito mal acostumada hahaha!
      Mas eu concordo com você: se soubermos analisar, chegaremos as mesmas conclusões (ou bem próximo) do que o autor pensou sobre o personagem!

  7. Eu gosto de narrativa em primeira pessoa, seja o personagem “falando” diretamente com o leitor (aí parece que ele tá contando uma história), seja uma narrativa em terceira pessoa com apenas um ponto de vista. Nos livros do Sherlock, a maioria deles é do ponto de vista do Watson, tirando O último adeus de Sherlock Holmes e também algumas histórias que o próprio Sherlock narrava. Acabei me acostumando a isso, principalmente porque depois ele descrevia com detalhes o que cada personagem secundário narrava (ou mesmo o Sherlock rsrs). Então a narrativa de Harry Potter não foi tanta surpresa, mas depois eu meio que desacostumei com narrativas que tinham mais de um ponto de vista, como Ela foi até o fim (não foi só Insaciável, Lany!)
    Agora estou voltando a me acostumar com vários POVs na narrativa. Eu gostei do jeito que o Rick Riordan fez em Herois do Olimpo, mas… confesso que ia preferir se fosse uma narrativa em primeira pessoa, como era com o Percy, mesmo sendo vários personagens falando. hahahah
    Ótimo texto, Lany!
    bjos bjos

    • Verdadeee “Ela foi até o fim” também teve mais de um narrador! Eu nem me lembrava disso hahaha! E eu AMO esse livro!
      Com a “birra” que eu tenho com o Jason, eu agradeço pela narração múltipla em Heróis do Olimpo. Se não, com certeza a “birra” seria ainda maior… E eu AMO os capítulos do Léo!

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