Resenha: Extremamente Alto & Incrivelmente Perto

“Nunca é possível reconhecer o último momento de felicidade que antecede uma tragédia. Seja ela o ataque às torres do World Trade Center, seja o cruel bombardeio aliado sobre Dresden, que arrasou a cidade e a população civil da histórica cidade alemã na Segunda Guerra Mundial. Portanto, dificilmente há tempo de verbalizar o amor que se sente pelas pessoas próximas que, por um golpe do destino, tornam-se distantes. Esta constatação e os dois acontecimentos históricos guiam ‘Extremamente alto & incrivelmente perto’. O principal narrador do livro, Oskar, é um menino extremamente inteligente de 9 anos de idade, sofre com a morte do pai, uma das vítimas do ataque ao World Trade Center, que estava no local da tragédia por um mero acaso – uma reunião no Windows of the World, o restaurante no último andar de uma das torres. A dor de Oskar não vem só da perda, mas do fato de julgar ser o único a ouvir as últimas palavras emitidas pelo pai, deixadas numa secretária eletrônica.” Fonte

Há exatamente dez anos as duas torres do World Trade Center em Nova York deixaram de existir devido à um ataque terrorista que chocou o mundo. Diversas pessoas pularam dos prédios em chamas, num ato de desespero, ou talvez voando em direção ao destino que – em um momento de sabedoria – eles julgavam ser inevitável. 2,977 pessoas perderam suas vidas nos ataques de 11 de Setembro de 2001 e todos foram atingidos, seja por um sentimento de insegurança que assolou o mundo, seja pelas novas regras de segurança em prédios e aeroportos que foram adotadas logo em seguida. Mas ninguém foi tão atingido como as pessoas que tiveram suas vidas mudadas para sempre pela perda de familiares ou amigos e é sobre isso que Jonathan Safran Foer escreve em Extremamente Alto e Incrivelmente Perto.

Nós seguimos a história de Oskar, cujo pai estava no Windows of the World – restaurante no topo da Torre Norte, primeira a ser atingida – para uma reunião de negócios. Nenhuma das pessoas no restaurante sobreviveu ao ataque, visto que estavam impossibilitadas de evacuar o prédio. O pai de Oskar liga para casa cinco vezes antes da torre cair, deixando mensagens na secretária eletrônica que Oskar ouve e esconde de sua mãe. As mensagens ainda perturbam Oskar depois de anos, e ao encontrar uma chave escondida dentro de um vaso com a palavra “Black” escrita em um pedaço de papel, Oskar se agarra à esperança dessa ser mais uma das brincadeiras que seu pai costumava fazer (como esconder objetos no Central Park e indicar pistas para que Oskar os encontrasse). Com a chave em mãos, Oskar sai em busca do Black ao qual o papel se refere por toda a cidade de Nova York, numa tentativa de colocar-se mais uma vez perto de seu pai. Concomitantemente, nós somos apresentados à história dos avós paternos de Oskar, ambos sobreviventes do bombardeamento de Dresden – Alemanha – na II Guerra Mundial. Essa parte é contada basicamente por cartas escritas à Thomas, pai de Oskar.

Com uma narrativa interessante e um personagem extremamente carismático, Foer nos prende do começo ao fim na incansável busca de Oskar por seu pai através da chave encontrada. Entretanto, embora a falta de pontuação nas cartas do avô de Oskar contribua para o ritmo frenético que Foer nos passa, isso se torna completamente irritante e cansativo após algumas páginas, e eu me via obrigada a interromper a leitura por alguns minutos. Para mim, esse é o único ponto negativo de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, ponto que é compensado pela realidade da perda de Oskar, pela intensidade de sua dor e pela sua dificuldade em seguir em frente. Críticos literários podem achar que Foer se “aproveitou” de uma tragédia nacional para “fazer dinheiro” e que seus “truques de tipografia” não são o suficiente para engajar o leitor, mas eu me reservo no direito de discordar. Foer trata os eventos com simplicidade sem se focar nos porquês ou comos, mas dando atenção para a superação da tragédia, para uma família cuja perda permanece em suas vidas diariamente mesmo depois do mundo ter seguido em frente.

A adaptação cinematográfica de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto conta com Tom Hanks e Sandra Bullock no elenco e tem estréia prevista para Janeiro de 2012 nos Estados Unidos.

Ficha Técnica
Título: Extremamente Alto e Incrivelmente Perto
Autor: Jonathan Safran Foer
Editora: Rocco
Páginas: 392
Classificação: 4 estrelas

7 respostas em “Resenha: Extremamente Alto & Incrivelmente Perto

  1. Ah, você tinha me dito desse livro, Parceira! Comovente a história… ainda mais contada sob o ponto de vista de um menino de 9 anos. Mas fiquei em dúvida, ela é real ou fictícia, apenas utilizando os fatos reais? Acima da história das torres, pelo que você descreveu, é a história do impacto que causa uma perda dessas em uma família e na vida do menino, o que eu achei muito legal.

    • Ela é fictícia, mas usa os fatos históricos, como as pessoas pulando do prédio (ele se pergunta se o pai dele teria sido uma delas) e tudo mais. E sim, a história é dos atentados, mas se foca mais na superação (ou falta de) do Oskar pela perda do pai.

  2. Eu sempre tenho um pezinho atrás com essa coisa de 11 de setembro, sabe. Quer dizer, eu sei que foi uma tragédia e foi uma coisa horrível, mas se pensarmos na Guerra ao Iraque e ao Afeganistção, mais pessoas ainda morreram e ninguém liga. Pelo contrário, fica aquele espírito de vingança horroroso. Então confesso que sempre acho que essas narrativas sobre 11 de setembro são bem tendenciosas.

    Mas essa pareceu ser interessante.

    Quanto aos críticos, bem, críticos são críticos. A maioria sempre vai dizer que best-sellers são escritos simplesmente para ganhar dinheiro. Seja ele uma história de amor, um mundo de fantasia ou simplesmente uma história baseada em um fato real.

    • É engraçado porque eu também via assim. Até ir pra Nova York pela primeira vez e olhar pra cima e não ver as torres, e lembrar de como foi acompanhar aquele dia pela TV, e imaginar que tudo aconteceu ali naquelas ruas. Ainda sou contra a guerra, ainda acho que poucas pessoas relacionam as duas coisas, mas hoje eu consigo ver o ataque meio que desvinculado disso… certamente, as duas coisas estão correlacionadas mas não é porque o idiota de um presidente resolveu declarar guerra que a tragédia se torna menos, bem, trágica. E foi por isso que eu gostei desse livro: porque ele não trata das tramitagens políticas ou da raiva pelo que aconteceu… ele trata dos sentimentos das pessoas que perderam seus familiares, suas tentativas de entender o que aconteceu e seguir em frente com suas vidas, coisa que eu acredito que qualquer pessoa que tenha perdido alguém em algum momento de sua vida consiga se relacionar.

  3. Nossa Ily, fiquei toda arrepiada enquanto lia a sua resenha. Até hoje eu ainda fico triste quando falam do ataque… Aliás, vale a pena MUITO ler um post do blog da Meg Cabot em que ela conta sobre o dia 11 de setembro. O marido dela trabalhava em um escritório na frente do Wordl Trade Center… Aqui vai o link: http://www.megcabot.com/2010/09/nine-years-ago/
    Eu realmente não conhecia esse livro, mas acho que deve tratar muito bem sobre o tema. Quando eu acabar com a minha pilha de livros, quem sabe? (eu primeti para mim mesma que vou tentar não comprar livros depois da Bienal hahaha!)

  4. Qdo comecei a ler a resenha, achei que fosse um livro que contasse uma história real (personagem real), porque esse tipo de tragédia deixa sequelas inimagináveis. Imagine um menino de 9 anos tentando superar um trauma de perder alguém, seja em qualquer tragédia.

    Eu geralmente evito livros que abordam esse tipo de tema, ainda mais que realmente aconteceram – sei lá porque, mas como esse parece uma história em traz uma mensagem de esperança – pelo menos é o que parece, eu vou procurar por ele por aqui. =)
    bjos bjos

  5. Eu li esse livro e SUPER recomendo. Estava a procura dele desde 2007, quando tive a chance de tê-lo e comprei outro livro, depois passei quase 7 anos a procura desesperada do mesmo. Esse ano tive a sorte de ganha-lo como presente e como esperava, li, chorei, me emocionei, fiquei com raiva, chorei mais um pouco.. e depois que terminei o livro recomendo p todas as pessoas possíveis. Amei, amo e vou smp amar esse livro perfeito.

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