Resenha: Night Road, Kristin Hannah

Quem acompanha o blog já há algum tempo sabe que a maioria dos livros que eu leio são Young Adult. Entretanto, tem horas que eu preciso de um bom romance, daqueles pra gente ler enquanto relaxa na banheira tomando uma taça de vinho tinto. É nessas horas que eu recorro à Kristin Hannah, a autora do estado de Washington que escreve primordialmente sobre relacionamentos entre mães e filhas. Seu livro mais recente – Night Road – foi lançado em Março desse ano e ontem à noite eu finalmente comecei (e terminei) a história de duas família lutando para superar uma tragédia.

Logo no começo do livro nós sabemos que algo ruim acontece no verão de 2004. O prólogo se passa em 2010 e nos mostra uma personagem – sem citar nomes, mas logo podemos adivinhar de quem se trata – parada na Night Road, o lugar onde “a chuva se transformou em cinzas.” Fica claro que alguém perdeu a vida ali, e o livro pode muito bem ser dividido entre “antes do acidente” e “depois do acidente,” o que inevitavelmente me faz lembrar de Quem é Você, Alasca? (resenha aqui) com todo seu simbolismo sobre os momentos que definem o resto de nossas vidas. Mas enquanto John Green explora o lado romântico e incompreensível da perda de um primeiro amor, Kristin Hannah nos mostra a perda  no ponto de vista de um amor mais profundo, um amor supostamente incondicional: o amor de uma mãe.

Antes. Jude e Miles Farraday têm dois filhos: Zach e Mia, gêmeos. Zach é um dos garotos mais populares da escola, enquanto Mia luta para superar sua timidez e afastar de si as garotas que se aproximam dela apenas para tentar conquistar seu irmão. Jude faz de tudo para proteger seus filhos, criando em sua casa um ambiente onde eles podem trazer seus amigos e tentando promover entre eles um laço de confiança e camaradice. Lexi Baill tem uma situação completamente diferente, tendo crescido em orfanatos e famílias adotivas até encontrar sua tia-avó, que a aceita em sua casa no lado errado da cidade. No primeiro dia do Ensino Médio, Lexi se aproxima de Mia e as duas tornam-se amigas quase instantaneamente. Quando Mia apresenta Lexi para sua mãe, Jude decide facilitar as coisas apesar do receio que sente com relação à criação incomum de Lexi. Ela alerta a jovem garota no entanto: ela não pode nem tentar se envolver com Zach.

Com uma condição desse tipo no entanto, não é de se estranhar que Lexi se apaixone por Zach, e quando ela vê seus sentimentos correspondidos, eles decidem convencer Mia que ela não estaria perdendo seu irmão e sua melhor amiga caso eles começassem a namorar, e a partir de então os três tornam-se inseparáveis. E é claro que no ápice da amizade de Lexi com Mia e de seu romance com Zach uma série de decisões irresponsáveis nos leva à tragédia em Night Road, e Lexi e os Farraday perdem tudo.

Depois. Nos anos que se seguem, nós vemos Lexi tentando lidar com a culpa que assola seus dias, e Jude se recusando a seguir em frente com sua vida, se agarrando com toda a força que lhe restou ao passado, à sua raiva por tudo que aconteceu naquela noite fatídica, e tentando ignorar sem sucesso a culpa que ela também sente por tudo que aconteceu.

Eu não sou mãe e portanto não posso nem começar a imaginar a dor que é perder um filho, o vazio que fica onde antes havia tanto amor, esperança e expectativas, mas Kristin Hannah me fez sentir como se eu também tivesse perdido alguém muito querido. Ler Night Road foi como assistir de camarote a tragédia dos Farradays e não poder fazer nada além de torcer para que eles pudessem reencontrar seu caminho, e a maneira que eu achei de fazer isso foi virando a noite para terminar a leitura, com lencinhos de papel no criado-mudo e a esperança de que se eu apenas conseguisse ler e chegar ao final, tudo se resolveria.

Um romance desolador sobre o que significa ser mãe, sobre amizade, sobre escolhas, sobre perdão e sobretudo sobre amor, seja ele em qualquer forma, Night Road vai te manter acordado desesperado para saber o que acontece nas páginas seguintes, e torcendo para que todos os envolvidos consigam encontrar alguma forma de consolo, perdoando finalmente a si mesmos por todas as consequências de seus atos.

Ficha Técnica:

Título: Night Road
Autor: Kristin Hannah
Editora: St. Martin’s Press
Páginas: 385
Avaliação: 4/5 estrelas

5 respostas em “Resenha: Night Road, Kristin Hannah

  1. Essa é o tipo de história que faz a gente chorar, né? Acho q vou arriscar esse livro como saindo da minha zona de conforto.

    • Bom Lucy, eu chorei. Mas eu sou bem chorona com livros também. Esse me pegou pelo cotovelo haha, ficou comigo até bem depois que eu fechei as páginas.

  2. Pingback: Retrospectiva Literária « Viajando Sem Dinheiro

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