Resenha: Mockingjay (A Esperança)

ATENÇÃO: Essa resenha contém spoilers de Jogos Vorazes e Em Chamas, primeiro e segundo livros da trilogia de Jogos Vorazes. Você pode ler a resenha de Jogos Vorazes aqui, e a resenha de Em Chamas aqui.

Ficha Técnica
Título: Mockingjay (A Esperança)
Autor: Suzanne Collins
Editora: Editora Rocco
Páginas: 419
Tradutor: Alexandre D’elia
Classificação: 5 estrelas

Mockingjay – A Esperança no título em português – é um livro que veio para confirmar o que eu já sabia: é muito difícil escrever sobre algo que se ama. Eu li o capítulo final da trilogia de Collins há quase um ano, em um vôo de Boston para São Paulo, e assim como aconteceu com os dois primeiros volumes, só consegui fechar os olhos para dormir depois de ter devorado ansiosamente todas as páginas. A diferença é que quando eu os fechei, eles haviam sido umidecidos pelas minhas lágrimas. Sim, porque pra se emocionar com Mockingjay não é preciso muita coisa: basta ter um coração.

No final de Em Chamas (resenha aqui) nós descobrimos que quando Katniss e Peeta entraram na arena dos Jogos Vorazes pela segunda vez, havia um plano para tirá-los de lá. Os Distritos se rebelaram contra a Capital, com o Distrito 13 – sim, o que havia sido “destruído” pela Capital durante os Dias Negros – na liderança. Katniss é levada ao Distrito 13 – que sobreviveu durante todos esses anos em sua localização subterrânea – onde descobre que Peeta foi capturado por Snow, e que o Distrito 12 foi completamente aniquilado, com poucas pessoas tendo sobrevivido ao ataque da Capital.

A presidente Coin – líder do Distrito 13, e consequentemente da rebelião – tem um plano para Katniss: ela deve ser a Mockingjay, o rosto da rebelião, a pessoa cujo objetivo é unir todos os distritos na luta contra a tirania da Capital. Mas Katniss não quer saber de nada disso: ela está ocupada tentando se reestruturar, tentando superar a destruição de sua casa, a morte de tantas pessoas inocentes. Isso é, até Peeta aparecer na televisão pedindo por um cessar fogo. Sabendo que com essa declaração Peeta seria considerado um traidor pelos rebeldes, Katniss decide assumir seu papel como Mockingjay, mas não sem antes pedir imunidade para Peeta e os outros campeões: se os rebeldes vencessem a guerra, todos eles seriam perdoados.

E é assim que o livro se desenvolve, com Katniss pouco a pouco assumindo seu papel na rebelião, com Peeta pouco a pouco tentando deixar de ser um peão nos jogos de Snow e voltar a ser apenas o menino com o pão. Gale também está muito presente nesse livro, tendo um papel ativo na rebelião. O triângulo amoroso continua, embora de maneira extremamente diferente dos outros livros: tanto Gale quanto Peeta expuseram seus sentimentos, jogaram todas as suas cartas, mas Katniss continua sem tempo/vontade/coragem de analisar seu próprio coração – mesmo porque isso não é importante pra ela, não enquanto existem coisas tão maiores do que o quem-fica-com-quem acontecendo.

De maneira fascinante, Collins mostra que em uma guerra não existe “bom” ou “ruim”, nem tudo é oito ou oitenta. Ela nos mostra que não importa qual o motivo pelo qual se luta, em uma guerra vidas são desperdiçadas, todos os lados perdem. E é exatamente essa narrativa intensa, pessoal, beirando a crueldade, que torna Mockingjay deliciosamente triste, que te faz devorar as páginas em tempo recorde e que te mantém acordado por horas após fechar o livro, não querendo dizer um adeus definitivo a esses personagens que em tão pouco tempo entraram em nossas vidas e se tornaram nossos amigos.

20 respostas em “Resenha: Mockingjay (A Esperança)

  1. Ah, que resenha maravilhosa, Parceira! Também me senti assim, não queria fechar a última página, não queria me separar deles… Estou com saudades do Peeta e Katniss, e de tudo isso!

    Essa série é fantástica e a autora tem fibra como a personagem que ela criou. Fazer um final desses tem que ter coragem, e nada mais justo do que dizer que é o final perfeito para essa série. Ela realmente nos ensinou uma boa lição, que todos deveriam aprender…

    • Hunger Games ocupa a mesma estante de Harry Potter pra mim. Foi difícil ler o final, especialmente com tudo que acontece, mas eu não consigo imaginá-lo de outra forma. Ela fez uma jogada de mestre realmente, e a maneira como solucionou os conflitos – tanto Snow x Coin quanto Peeta x Gale – foi digna de aplausos. Como eu te disse, em menos de 1 ano que terminei a série, já a reli duas vezes, porque simplesmente não consigo me afastar desses personagens. Eles meio que criaram raízes hehe.

      E btw, fiquei MUITO feliz quando você leu! Muito, muito mesmo, você nem imagina o quanto!!

      • A Suzanne Collins é demais. Pra mim também já tá figurando entre as minhas autoras e autores preferidos, ela terminou essa série como começou: sensacional e sem dó!

        Awwwnn Parceira, que fofa! E eu fiquei feliz por isso. E feliz de comentar a série com você!!!🙂

  2. Eu não li ainda, mas li spoilers. rsrs
    Comprei o livro semana passada e como já estava lendo Em chamas, resolvi encapar os dois (não gosto de ler qdo não estão encapados, tenho mta dó de sujar as capas hahaha)
    Mas estou ansiosa pra terminar a saga e já sei q é uma das melhores que já li.

    Bjos bjos!

    • Lucyyyyy, não veja spoilers de Hunger Games!!!! Você precisa ficar na ponta da cadeira, desesperada pra saber o que acontece!!! Não leia, não leia, não leia spoilers!!!!!!

      • Mas mesmo lendo eu fico na ponta da cadeira! hahahaha
        Eu tenho que saber de todos os detalhes! Então só leio por alto! rsrss

  3. Ily, vc falou tão bem dessa série que não resisti e comprei todos os livros!!! Chegaram aqui em casa semana passada… Só vou terminar de ler “Fúria dos Reis” e vou começar Hunger Games.

    To SUPER ansiosa.

    • Aeeee Mel!!!! Vale MUITO a pena, viu!!! Hunger Games já tem lugar de honra na minha prateleira, ali pertinho de Harry Potter! Quando começar a ler, não deixe de dizer o que acha hehe… eu fico super curiosa pra saber como as pessoas reagem à Hunger Games!

  4. Ily, LINDA A RESENHA! Sabe, eu não me arrependo nem um pouco por ter te convecido a ler Hunger Games. Aliás, é isso mesmo que tem que acontecer: todo mundo que ler tem que ir falando com outras pessoas, para que elas leiam também! Hunger Games não é muito conhecido ainda e é uma série PERFEITA!
    Hunger Games é uma série brilhante e por isso Mockingjay não poderia ser diferente. O livro é cruel? É. Mas TINHA que ser assim. E a Suzanne teve que ter sim uma GRANDE coragem de escrever esse livro, porque os temas que ela aborda não são fáceis…
    Hunger Games é uma das minha séries favoritas, definitivamente!

    • COMENTÁRIO COM SPOILERS, NÃO LEIA LUCY HOLMES!!!!!!!!
      *
      *
      *
      *
      *
      Eu não consigo imaginar outro final. O momento decisivo – por assim dizer – é cruel sim, especialmente pela referência que faz ao primeiro livro, àqueles primeiros momentos em que nos descobrimos já apaixonadas por Katniss, com Prim e sua blusa metade pra fora… e bem, tudo que acontece depois né. A relação da Katniss com o Gale abalada pra sempre, a votação para um último Hunger Games – e a maneira como cada um ali votou, a decisão de último minuto da Katniss, o papel do Peeta, Haymitch e sua bebedeira… cada um dos personagens ali é tão único e diferente, e cada um agiu de acordo com sua personalidade… isso também me encantou muito. E é claro, o fato de que apesar dos Jogos terem sido eliminados, a coisa da “realidade” na TV não foi abolida, Plutarch que o diga….

      • E sabe uma coisa que me deixa deslumbrada com o livro também? É como ele se enquadra bem na nossa realidade. É só comparar com o Big Brother. Casais normalmente não são eliminados, assim como o Haymitch queria o romance entre Katniss e Peeta pra dar audiência e eles ganharem presentes… E aí a gente fica pensando “Mas não é que isso tudo um dia poderia acontecer mesmo?”

  5. Sabe o que eu achei mais incrível no final em Hunger Games? Que a Collins não matou nem o Peeta nem o Gale. Porque essa seria a decisão mais fácil, né? E é o que acontece na maioria dos livros de triângulo amoroso em que rola uma aventura. Se não é isso, é uma personagem secundária que pula das páginas do nada pra roubar o coração de um deles. Mas a Collins deixou o circo pegar fogo. E pegou literalmente.

    Eu achei incrível a maneira como a Collins fez a Katniss lidar com cada um dos dois nesse livro. Tipo a Katniss chega a odiar o Peeta, mesmo ele tendo sido torturado daquele jeito horrível, se recusa a falar com ele. Depois ela decobre “a verdadeira face” do Gale e que ele era exatamente como ela, e por isso mesmo a amizade deles chegou num estado de “beyond repair”. Isso tudo pra termos Katniss e Peeta no final, mas sem grandes juras de amor ou arroubos de paixão, apenas uma cumplicidade que aos poucos vira um sentimento duradouro. Mas que não é aquele amor-paixão a qual estamos acostumados, mas sim algo calmo e tranquilo.

  6. Eu sou a única que não gostou desse livro?😦 Olha, tem partes que eu amei, de verdade! Mas algumas outras eu ache um exagero enorme de violência… Sei que guerras são assim, mas eu esperei bem mais de A Esperança!:/

  7. Monckingjay = muito choro, tristeza e horas de insonia pensando que bom! E que mau!
    Fiquei muito triste pelo Peeta mais foi extremamente necessário para a Katniss perceber o quanto o Peeta era perfeito.
    O Gale, estou com raiva dele, homem cruel! (exagero meu)
    Mas foi delicioso de ler mesmo assim, pena que acabou rápido demais com o fim mais triste que já li. (o que deu um toque especial de certa forma)
    Team Peeta

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s